domingo, 31 de maio de 2026

Lutas na Educação Física Escolar: Experiências com turmas do 6º e 7º ano Ensino Fundamental

 


O artigo “As lutas no Ensino Fundamental: uma proposta de sequência didática no Colégio Militar de Salvador” apresenta uma proposta pedagógica para o ensino das lutas nas aulas de Educação Física no Ensino Fundamental, tomando como referência a experiência desenvolvida no Colégio Militar de Salvador.

De forma geral, o texto defende que as lutas devem ser compreendidas como conteúdo da cultura corporal e não apenas como práticas de combate ou treinamento esportivo. O artigo busca romper com preconceitos frequentemente associados às lutas — como violência ou agressividade — mostrando que, quando trabalhadas pedagogicamente, elas podem contribuir para a formação integral dos estudantes.

A proposta didática apresentada organiza o ensino das lutas por meio de uma sequência estruturada de aulas, valorizando aspectos: motores e coordenativos; cognitivos; sociais; éticos e atitudinais.

O estudo enfatiza princípios como respeito ao adversário, autocontrole, disciplina, cooperação e consciência corporal. Além disso, destaca a importância de adaptar o conteúdo à realidade escolar, permitindo que professores trabalhem lutas mesmo sem serem especialistas em modalidades específicas.

A sequência didática é construída de maneira progressiva, geralmente iniciando com: atividades lúdicas e jogos de oposição; compreensão das regras e princípios das lutas; vivências corporais básicas; reflexões sobre cultura, história e valores associados às modalidades.

O artigo também dialoga com a BNCC ao justificar a presença das lutas como unidade temática da Educação Física Escolar, reforçando que esse conteúdo amplia o repertório cultural dos alunos e favorece experiências educativas diversificadas. A proposta valoriza metodologias participativas e contextualizadas, buscando maior engajamento dos estudantes nas aulas.

Como conclusão, os autores indicam que o ensino das lutas no ambiente escolar pode ser uma ferramenta pedagógica potente para desenvolver autonomia, respeito mútuo, socialização e formação cidadã, especialmente quando planejado de forma sistematizada e alinhada aos objetivos educacionais da escola. O trabalho reforça ainda a necessidade de ampliar estudos e práticas pedagógicas sobre lutas no contexto escolar brasileiro.

REFERENCIA

ALVES, M. N. As Lutas no Ensino Fundamental: Uma Proposta de Sequência Didática no Colégio Militar de Salvador. Revista Tópicos, Rio de Janeiro, v. 4, n. 33, p. 1-19, 2026. ISSN: 2965-6672.

sábado, 16 de maio de 2026

A informática: um dos nomes da sociedade contemporânea

Resumo do capítulo VI do Livro Psicanalise e educação: Novos operadores de leitura, da autora Leny Mrech, publicado em 2002. Atividade vinculada à disciplina Tópicos Especiais: Educação, Psicanálise e Subjetividade do Programa de Pós Graduação em Educação e Contemporaneidade (PPGEduC) da UNEB, vinculada à Linha de Pesquisa 2 – Formação de Professores, ministrada pela professora pós-doutora Maria de Lourdes Ornellas. Resumo produzido pelo discente Marielson Nascimento Alves.

A informática: um dos nomes da sociedade contemporânea


Introdução

O capítulo VI da obra de Leny Mrech propõe uma reflexão crítica sobre a informática como um dos principais símbolos da sociedade contemporânea. A autora não trata a informática apenas como avanço técnico, mas como um fenômeno cultural e subjetivo que reorganiza as formas de relação humana, de comunicação e também os modos de ensinar e aprender.

Segundo Mrech (2002), vivemos uma espécie de crença coletiva em uma rede mundial de informações capaz de conduzir a humanidade a um novo estágio comunicacional. A informática aparece, então, como promessa de conexão total, rapidez e superação das dificuldades comunicativas da humanidade. Entretanto, a autora alerta que exatamente aquilo que se apresenta de forma mais visível pode também operar como forma de encobrimento de outras formas.

Nesse ponto, a discussão aproxima-se da Psicanálise. A autora afirma que, quanto mais evidente parece ser um fenômeno social, mais necessário se torna investigar aquilo que permanece oculto sob sua aparência. Assim, a informática não deve ser compreendida apenas pelo seu aspecto funcional ou tecnológico, mas pelos efeitos subjetivos e simbólicos que produz.

 A sociedade pós-moderna e o império da imagem

Mrech situa essa discussão no contexto da sociedade pós-moderna. Diferentemente da modernidade, que valorizava a autenticidade e os objetos originais, a pós-modernidade desloca o valor para a imagem e para a reprodução.

O objeto original perde centralidade e passa a existir como referência simbólica. O importante já não é possuir o original, mas acessar sua imagem, sua réplica, sua representação. Surge, então, a lógica da sociedade de massas, em que todos podem consumir versões reproduzidas do objeto.

Nesse cenário, o imaginário ganha nova força. A imagem deixa de representar o objeto e passa a ocupar o lugar dele. É nesse contexto que a autora aponta a realidade virtual e o ciberespaço como expressões máximas dessa predominância da imagem.

Há aqui uma forte aproximação com o pensamento de Jacques Lacan, especialmente em relação ao registro do imaginário. Para Lacan, o sujeito se constitui também por identificações imagéticas, por formas ilusórias de completude. A sociedade contemporânea amplia esse processo ao transformar a imagem em organizadora central das relações sociais.

 A informática como semblante da comunicação

Um dos pontos mais importantes do capítulo é quando Mrech afirma que a informática não é propriamente a comunicação em movimento, mas o semblante desse movimento.

A palavra “semblante”, em Lacan, é fundamental. O semblante não é simplesmente mentira; ele é uma aparência que organiza a realidade social. Assim, a informática oferece a promessa de uma comunicação plena entre os seres humanos.

Contudo, a Psicanálise sustenta justamente o contrário: a comunicação humana é marcada pela falta, pelo mal-entendido e pela impossibilidade de dizer tudo. O sujeito nunca consegue transmitir integralmente aquilo que deseja dizer.

Nesse sentido, a informática aparece quase como uma tentativa de reparar a falha estrutural da linguagem humana. Como se o ciberespaço pudesse resolver os desencontros da comunicação real.

A autora levanta questões provocativas, algumas delas poderia ser formulada assim: Se a comunicação entre os sujeitos é tão difícil, estaríamos tentando substituir os vínculos humanos por conexões tecnológicas?

Essa crítica não significa rejeição da tecnologia, mas uma tentativa de compreender o desejo que sustenta essa busca incessante por conexão.

 A máquina como extensão do homem

Outro aspecto importante destacado por Mrech é que frequentemente esquecemos que as máquinas foram criadas a partir do próprio homem.

Inventar um computador ou a informática significa materializar formas humanas de pensamento. A máquina não é exterior ao sujeito; ela é produto da própria subjetividade humana.

Por isso, a Psicanálise não pode ignorar a informática. O psicanalista precisa escutar o que essa tecnologia “fala” sobre o sujeito contemporâneo.

A autora afirma que os objetos produzidos pelos sujeitos também carregam significados e divisões. Em Lacan, o sujeito é estruturalmente dividido, atravessado pela falta e pelo inconsciente. Assim, seus produtos também apresentam ambivalência: Ao mesmo tempo em que criam; Também podem destruir.

A informática amplia possibilidades de conhecimento, comunicação e acesso, mas também pode intensificar alienações, dependências e apagamentos subjetivos.

 O desejo de saber e a educação

Na parte final do capítulo, Mrech desloca a discussão para a educação.

Ela afirma que a Psicanálise não deve fornecer respostas prontas à educação. Seu papel é outro: provocar questões, produzir escuta e permitir novas leituras dos processos educativos.

Aqui aparece uma ideia muito importante da tradição psicanalítica: ensinar não é apenas transmitir conteúdo.

A grande questão deixa de ser:

“Como fazer o aluno aprender?”

e passa a ser:

“Como despertar o desejo de saber?”

A autora propõe que o professor reconheça que existe algo no processo educativo que escapa ao controle técnico e metodológico. Nem toda recusa em aprender é falta de capacidade cognitiva; muitas vezes envolve questões subjetivas, afetivas e inconscientes.

Por isso, a pergunta final do capítulo é extremamente potente: O que é preciso fazer para ensinar um aluno que não quer aprender?

Do ponto de vista psicanalítico, talvez não exista uma técnica capaz de garantir isso. O que existe é a possibilidade de criar condições simbólicas para que o desejo de saber possa emergir.

 Considerações transitórias

A reflexão de Leny Mrech continua extremamente atual porque nos ajuda a perceber que a tecnologia não é neutra. A informática não modifica apenas instrumentos de comunicação; ela também transforma modos de subjetivação, relações sociais e processos educativos. A Psicanálise, especialmente a partir de Lacan, nos convida a olhar para além do fascínio tecnológico e perguntar quais desejos, faltas e formas de alienação estão sendo produzidos na sociedade contemporânea. Na educação, isso significa reconhecer que ensinar não é apenas transmitir informações, mas lidar com sujeitos atravessados pela linguagem, pelo desejo e pela falta.

Referencia

MRECH, Leny Magalhães. Psicanalise e educação: Novos Operadores de leitura. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. 2002.

Produção: Marielson Nascimento Alves
Lauro de Freitas, 16 de maio de 2026

 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Ser Filho de Primeira Geração

Ser Filho de Primeira Geração: Quando Estudar e Trabalhar Também São Formas de Resistência

Essa frase carrega mais do que cansaço. Ela carrega história, responsabilidade, esperança e, muitas vezes, o peso silencioso de ser a primeira pessoa da família a ocupar espaços acadêmicos antes inacessíveis.

Ser um estudante de primeira geração significa trilhar caminhos sem mapas prontos dentro da própria família. Significa aprender sozinho códigos, linguagens e exigências do universo acadêmico enquanto, ao mesmo tempo, se tenta equilibrar trabalho, estudos, responsabilidades familiares e sobrevivência financeira.

É importante compreender que essa realidade não torna ninguém “melhor” ou “pior” do que outros estudantes e trabalhadores. Cada trajetória possui desafios diferentes. Porém, estudantes e profissionais de primeira geração frequentemente enfrentam obstáculos adicionais que nem sempre são visíveis para quem cresceu em contextos com maior estabilidade financeira, tradição universitária ou apoio familiar consolidado.

Quando a dedicação é confundida com exagero

Muitas vezes, a intensa dedicação dessas pessoas é interpretada como obsessão por trabalho ou incapacidade de descansar. Mas existe uma diferença importante entre viver para trabalhar por compulsão e dedicar-se profundamente porque aquele esforço representa oportunidade, estabilidade e transformação social.

Para muitos filhos de primeira geração, o trabalho não é apenas uma escolha profissional. Ele representa:

  • ·         segurança financeira para si e para a família;
  • ·         possibilidade de mobilidade social;
  • ·         autonomia;
  • ·         construção de dignidade;
  • ·         interrupção de ciclos históricos de limitação.

Da mesma forma, o estudo deixa de ser apenas formação acadêmica e passa a ser ferramenta concreta de mudança de vida.

Enquanto algumas pessoas possuem uma rede de segurança que permite errar sem grandes impactos, muitos estudantes e trabalhadores de primeira geração sentem que cada oportunidade precisa ser valorizada ao máximo, porque não existe um plano alternativo garantido.

A relação diferente com o trabalho

Filhos de primeira geração costumam desenvolver uma relação intensa com o trabalho porque aprenderam, desde cedo, que esforço e responsabilidade eram necessidades reais da vida cotidiana.

Em muitos casos, trabalhar cedo não foi uma experiência opcional, mas parte da sobrevivência familiar. Isso faz com que dedicação, compromisso e produtividade sejam vistos não como excessos, mas como formas de proteção contra a instabilidade.

Por isso, é comum que essas pessoas:

  • ·         valorizem profundamente oportunidades profissionais;
  • ·         sintam dificuldade em desacelerar;
  • ·         associem trabalho à segurança;
  • ·         carreguem forte senso de responsabilidade;
  • ·         tenham medo de desperdiçar oportunidades que demoraram anos para conquistar.

Essa dedicação, muitas vezes, não surge apenas de um desejo individual de crescimento, mas da compreensão de que cada conquista carrega também os sacrifícios, expectativas e esforços acumulados de toda uma trajetória familiar.

A sobrecarga invisível

Além das exigências acadêmicas e profissionais, é comum que estudantes de primeira geração precisem lidar com:

  • ·         jornadas duplas ou triplas;
  • ·         pressão financeira;
  • ·         falta de referências acadêmicas dentro da família;
  • ·         sensação de não pertencimento;
  • ·         autocobrança constante;
  • ·         medo de fracassar depois de ter chegado tão longe.

Muitas vezes, enquanto colegas conseguem focar exclusivamente em estudar ou construir carreira com apoio financeiro familiar, estudantes de primeira geração precisam equilibrar produtividade acadêmica, desempenho profissional e manutenção da própria sobrevivência.

Por isso, o cansaço dessas pessoas não deve ser romantizado, mas compreendido com humanidade.

Na pós-graduação, o peso pode ser ainda maior

Chegar ao mestrado ou doutorado sendo o primeiro da família nesse espaço é uma conquista enorme. Em áreas como a Educação Física — que exigem dedicação prática, intelectual e emocional — concluir uma pesquisa acadêmica representa não apenas mérito individual, mas também resistência social.

A dissertação ou a publicação de um artigo cientifico, muitas vezes, deixa de ser apenas um trabalho acadêmico. Ela se transforma em símbolo de ruptura com limitações históricas.

·         Cada página escrita pode representar:

  • ·         horas conciliando trabalho e pesquisa;
  • ·         deslocamentos cansativos;
  • ·         noites mal dormidas;
  • ·         inseguranças vencidas;
  • ·         barreiras sociais atravessadas.

 Um olhar que também enriquece a sociedade e a ciência

Estudantes e profissionais de primeira geração levam para a universidade e para o mercado de trabalho experiências que ampliam perspectivas humanas e sociais.

Sua trajetória oferece compreensão concreta sobre:

  • ·         desigualdade;
  • ·         acesso;
  • ·         permanência;
  • ·         esforço;
  • ·         resiliência;
  • ·         transformação social.

Na Educação Física, por exemplo, compreender como esporte, corpo, educação e trabalho atravessam diferentes realidades sociais produz pesquisas e práticas mais humanas, críticas e conectadas com a vida real.

Algumas lembranças importantes para quem está nessa caminhada

Seu esforço é legítimo

Dedicar-se intensamente ao estudo e ao trabalho não significa fracasso no equilíbrio da vida. Muitas vezes, significa responsabilidade, sobrevivência e construção de futuro.

Nem toda crítica compreende sua realidade

Pessoas possuem pontos de partida diferentes. Nem todos conseguem enxergar os desafios invisíveis que acompanham quem está “abrindo caminho” pela primeira vez.

Descansar também é necessário

Dedicação não precisa significar autodestruição. Permanecer saudável física e emocionalmente também faz parte da construção de uma trajetória sustentável.

Sua presença já transforma histórias

Quando alguém da família ocupa novos espaços acadêmicos e profissionais, amplia possibilidades para quem vem depois.

Conclusão

Ser filho, estudante ou trabalhador de primeira geração é construir caminhos sem herdar os mesmos recursos, orientações ou facilidades que outras pessoas tiveram. Ainda assim, milhares de pessoas seguem ocupando universidades, produzindo conhecimento, trabalhando com excelência e transformando suas histórias por meio do esforço diário.

Reconhecer essa realidade não significa diminuir trajetórias diferentes, mas compreender que igualdade de oportunidade nem sempre significa igualdade de ponto de partida.

Nesse contexto, o termo “workaholic” nem sempre traduz de forma justa a realidade de muitos estudantes e trabalhadores de primeira geração. Em diversas trajetórias, a dedicação intensa aos estudos e ao trabalho está profundamente ligada às responsabilidades assumidas, às oportunidades construídas com esforço e ao desejo de transformar a própria realidade por meio da educação e do trabalho. 

Autor: Marielson N. Alves


Autor: Marielson N. Alves

Mestrando do Programa de Mestrado Profissional em Educação Física (ProEF)
Especialista em Metodologia do Ensino e da pesquisa em Educação Física, Desporto escolar e Lazer (FSBA)
Especialista em Metodologia e Didática das Artes Marciais e Esportes de Combate (UNIBAHIA)
Especialista em Políticas Públicas, Infância, Juventude e Diversidade (UNB)
Membro do Núcleo de Estudos sobre a Prática Pedagógica em Educação Física e suas Representações Sociais (UESB)
Membro do Núcleo de pesquisa em Lutas, Artes Marciais e Esportes de Combate (UNEB)
Integrante da Rede Diversidade e Autonomia na Escola Pública (REDAP)


terça-feira, 5 de maio de 2026

Psicanálise e Educação: Minhas percepções iniciais

 

Minha impressão como aluno de matrícula especial no Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade (PPGEduC) da UNEB, na disciplina “Tópicos Especiais: Educação, Psicanálise e Subjetividade”, vinculada à Linha de Pesquisa 2 – Formação de Professores, ministrada pela professora pós-doutora Maria de Lourdes Ornellas, tem provocado reflexões importantes acerca do modo como compreendo a educação e seus processos.

Desde os primeiros encontros, chamou atenção a proposta de pensar a educação a partir de seu “avesso”, ou seja, não apenas como um campo de normas, conteúdos e práticas institucionalizadas, mas como um espaço atravessado pelo inesperado, pelo não controlável e pelas dimensões subjetivas dos sujeitos envolvidos. Nesse sentido, aproximar a educação da psicanálise implica reconhecer que o processo educativo não se limita à transmissão de conhecimentos, mas envolve o desejo, o inconsciente e a escuta.

As discussões inspiradas na teoria de Jacques Lacan vêm tensionando dicotomias tradicionais, como ouvir e escutar, saber e conhecimento, sexualidade e ideologia, letra escrita e letra falada, corpo e mente. Esses pares não se apresentam como oposições rígidas, mas como campos de tensão que ampliam a compreensão da prática educativa. A escuta, por exemplo, ultrapassa o simples ato de ouvir, exigindo do educador uma postura ética e sensível ao que emerge para além do discurso explícito.

Nesse contexto, a psicanálise contribui para a educação ao introduzir uma ética do desejo, deslocando o foco de uma pedagogia centrada apenas na normatização para uma perspectiva que reconhece o sujeito em sua singularidade. Enquanto a educação tradicionalmente se ocupa da socialização e da transmissão de normas, a psicanálise convoca o educador a lidar com aquilo que escapa a essas estruturas: o inconsciente, o afeto e a incompletude.

Outro ponto relevante refere-se à compreensão de que não há sujeito pleno ou integral. A metáfora da fita de Möbius ilustra bem essa ideia ao representar a inexistência de uma separação clara entre interior e exterior, sugerindo que o sujeito é constituído em uma dinâmica contínua e paradoxal. Essa noção desafia práticas educativas que buscam totalidade ou controle absoluto sobre os processos formativos.

A partir da tríade lacaniana (Real, Simbólico e Imaginário) também se amplia a leitura sobre o contexto educativo. O Real aparece como aquilo que irrompe de forma inesperada, o Simbólico relaciona-se à linguagem, às normas e às estruturas sociais, enquanto o Imaginário envolve as construções identitárias e culturais. Essas dimensões coexistem no cotidiano escolar e exigem do professor uma postura atenta e reflexiva. Além disso, conceitos como sujeito, transferência, escuta, estilo e afeto emergem como fundamentos para pensar a relação entre educação e psicanálise.

Por fim, essas reflexões iniciais também provocam questionamentos sobre a relação entre psicanálise e Educação Física Escolar, especialmente no que diz respeito ao reconhecimento do sujeito para além do corpo biológico, considerando suas dimensões simbólicas, afetivas e desejantes.

Dessa forma, os primeiros dias de aula indicam que a articulação entre psicanálise e educação não oferece respostas prontas, mas abre um campo de problematizações que desafiam práticas pedagógicas tradicionais, convidando o educador a assumir uma posição ética fundada na escuta, no desejo e na incompletude do sujeito.


Discente: Marielson Nascimento Alves

Lauro de Freitas, 05 de maio de 2026