Este trabalho trata de um plano
de ação em Educação Física desenvolvido em 2015 na Escola Municipal Engenheiro Gilberto
Pires Marinho localizada em Salvador (BA) e teve como público alvo estudantes
do primeiro ciclo do ensino fundamental do turno matutino. Com direcionamentos
para associações entre o presente e contínuo processo de formação para a
cidadania e vivências de diversificadas manifestações da cultura corporal de
movimentos foram levado em consideração o contexto que os estudantes estão
inseridos, os conteúdos da Educação Física e as possibilidades de relações com
temas transversais. Assim, partindo de uma avaliação diagnóstica e de registros
diários durante o período inicial do ano letivo foram identificados questões voltadas
para aspectos sociais, estruturais e corporais. E ao final desse período
observamos avanços significativos fruto de ações contextualizadas e aliadas às
propostas planejadas para as aulas de Educação Física.
As vivências no curso de Alfabetização e Letramento com a disciplina Praticas de Jogos e
Recreação tem a intenção de aumentar o estimulo e reflexão acerca da importância
do lúdico na construção do processo de ensino e aprendizagem na educação, que é
de suma importância para todos os pedagogos, professores, comunidade, escola e
familiares que tenham a intenção de educar. Assim, com um encontro dinâmico e
contextualizado, o professor Marielson Alves, visando a valorização do resgate de experiências, da criatividade e do espírito
de liderança para compreender o que for trabalhado nesse encontro, afim de, identificar a
importância de conhecermos ou reconhecermos os jogos, brincadeiras e recreação na sociedade. Levando em consideração que são elementos da cultura corporal de movimento e linguagem e fazem parte da
construção social e cultural da humanidade.
LÚDICO
O lúdico é uma manifestação cultural que permeia várias
dimensões da vida humana, assim, vários autores já investigaram o fenômeno
lúdico a fim de compreender suas características e significados e ao mesmo
tempo, buscar um conceito que pudesse melhor exprimi-lo.
Umas das principais referências para este estudo é
Huizinga (2000), que identifica o lúdico em diferentes esferas da vida social e
é parte integrante da vida em geral, possui um caráter desinteressado, gratuito
e provoca evasão do real. Já Bruhns (1993) concebe a atividade lúdica como
pratica real das relações sociais, como produto coletivo da vida humana,
podendo se manifestar no jogo, no brinquedo e na brincadeira, desde que possua
características como desinteresse, seriedade, prazer, organização,
espontaneidade. Sendo fundamental a dimensão corporal. Oliveira (1984) complementa
que o lúdico no brinquedo enquanto exercício individual carregado de emoções,
densidade, enigmas e significados, algo que provoca o imaginário e a
sensibilidade da criança, fornecendo-lhe subsídios para a sua inserção na
realidade.
Alguns autores consideram como fenômeno restrito a
uma fase da vida, a infância, quando o jogo, o brinquedo e a brincadeira ainda
funcionam como elos mediadores da criança com o mundo. Operando-se um
reducionismo que desconsidera o lúdico em sua constituição social, histórica e
cultural. O lúdico não se vincula exclusivamente a cultura infantil, embora,
paradoxalmente, até mesmo das crianças tem sido “roubado”. Marcellino (1997)
identificou essa problemática ao analisar as relações entre lazer, escola e
processo educativo.
Infelizmente com a realidade de exclusão,
marginalidade e desigualdade social historicamente construída um nosso país muitas
crianças são privadas de vivenciar a cultura lúdica em troca de sua “inclusão
precoce e criminosa no mercado de trabalho”. No caso das grandes cidades a
manifestação do lúdico tem sido cada vez mais controlada e confinada a
determinado tempos, espaços e praticas. Sofrendo influencias de meios de
comunicação, do contexto da comunidade ou da lógica de mercado.
JOGOS
Alguns autores como João Batista Freire, admitem
que o ser humano é lúdico, portanto o jogo seria inerente à sua existência. Não
é a toa que o jogo é considerado um patrimônio da humanidade. Eles são
muito parecidos com as brincadeiras que fazemos desde crianças, mas têm
regras próprias que devem ser respeitados para que eles possam ocorrer, havendo
a possibilidade de altera-las sempre que necessário afim de, tornar a vivência
mais divertida.
Nos Parâmetros Curriculares de Educação Física a
palavra jogo é representa por uma infinidade de significados de acordo com o
contexto. Permitindo uma flexibilidade de regulamentações que o esporte não
admite, os jogos podem compreender diferentes espaços, materiais, tempo, número
de participantes, podendo ainda se manifestar nas formas competitiva,
cooperativa ou recreativa. Assim, podemos incluir entre os jogos e brincadeiras
populares, os jogos de salão, de tabuleiro, grande jogos (queimada,
pique-bandeira), jogos de construção, jogos de faz de conta, jogos de imitação
e as brincadeiras infantis de maneira geral.
O Jogo é entendido como um instrumento do lúdico. No
caso da tipificação devemos considerar as dimensões de “forma do jogo” e “modo
de jogar” para favorecer uma análise critica e criativa da atividade lúdica que
seja desenvolvida nas aulas.
BRINCADEIRA
Para Barreto (1998), brincadeira é a atividade
lúdica livre, separada, incerta, improdutiva, governada por regras e
caracterizada pelo faz de conta. É uma atividade bastante consciente, mas fora
da vida rotineira e não séria, que absorve a pessoa intensamente. Sá (2005) indica
que brincar é algo intrínseco à vida de toda criança, um processo que vai se
desenrolando em seu curso, no tempo e no espaço, e no qual estão contidos
aspectos físicos, emocionais e mentais, de forma individualizada ou combinada. E
Debortoli (1999) complementa que brincar, brincadeira e gesto lúdico devem ser
entendidos como “dimensão da construção da linguagem humana, ou seja, como
possibilidade de expressão, representação, significação, ressignificação e
reinterpretação da e na cultura”.
BRINQUEDO
O brinquedo é o instrumento do brincar, geralmente
introduzido na cultura da criança pela mão do adulto. Kishimoto(1998) acredita
que o brinquedo estimula a inteligência, fazendo com que a criança solte sua
imaginação e desenvolva a criatividade. O brinquedo diminui o sentimento de
impotência da criança, pois, ao manipulá-lo, ela cria situações novas,
reconhece outras, compara, experimentam, desenvolve sua imaginação e
habilidades.
Para tanto o brinquedo é o suporte do jogo e da
brincadeira, é o objeto que desperta a curiosidade, exercita a inteligência,
permite a invenção e a imaginação e possibilita que a criança descubra suas
próprias capacidades de apreensão da realidade. Ele permite, pois, à criança,
testar situações da vida real ao seu nível de compreensão, sem riscos e com
controle próprio.
Vocês já confeccionaram seus brinquedos?
RECREAÇÃO
Compreender a recreação em seu desenvolvimento
histórico e cultural é reconhecer o próprio percurso da educação física, uma
vez que, no Brasil, o incremento de praticas recreativas foi responsável pela
criação dos cursos de formação profissional em Educação Física (Wernerck,
2000). Talvez, por isso, seja ela uma das atividades mais reconhecidas no
campo, embora também uma das mais polêmicas e confusas.
A recreação esta intimamente relacionada à historia
da educação, da escola e do ensino público primário. Sua ocorrência pôde ser observada ao longo de
todo o século XIX.
A recreação aparece como importante instrumento pedagógico,
cuja orientação era disciplinar o corpo no sentido de que, no tempo livre, não
se flexibilizasse com a preguiça. Ela se configura como estratégia de controle
dos tempos, espaços e praticas realizadas na escola.
Recreação foi um importante recursos para
disciplinar a educação infantil em um primeiro momento. Posteriormente ela para
ser uma atividade de responsável pela formação moral e cívica de jovens e
adultos influenciadas por ideias de uma escola renovada.
A escola nova, como ficou conhecida, proclama a
reformulação dos métodos de aprendizagem, renovando a importância do jogo e da
ginástica como componentes fundamentais da formação da personalidade, da
civilidade, da disciplina e da liberdade, valores fundamentais para uma
sociedade em mudança. Sendo assim, tanto para jovens como para adultos, os
exercícios corporais e a recreação organizada desempenhavam um papel
moralizador e cívico.
Sussekind, Marinho e Góes (1952), a melhoria do
nível educacional do trabalhador, sua maior integração social, seu equilíbrio
biológico são os três grandes objetivo da recreação.
Medeiros (1975) o que caracteriza as atividades de
recreação é a atitude ou disposição mental do executante “marcadas sempre pela
livre escolha da pessoa que com elas preenche as suas horas vagas, visando
unicamente à alegria intrínseca a tais ocupações”
Atualmente a recreação tem sido um elemento
estudado e entendido predominantemente como um composto do lazer.
Para Toseti apud Gonçalves (1997, p.14) A recreação
é muito importante para o ser humano não só para a criança. Todos nos
precisamos dos nossos momentos de lazer. Portanto as atividades recreativas
devem ser espontâneas, criativas e que nos traga prazer. Devem ser praticadas
de maneira espontânea, diminuindo as tensões e preocupações.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observando os diferentes contextos socioculturais,
tudo leva a crer que cultura lúdica integrante da construção de saberes, das
formas de sociabilidade, mas manifestações festivas advém não da recreação,
mas dos jogos e brincadeiras que são
expressões de desejos e necessidades humanas.
Através dos jogos, brinquedo e brincadeira,
desenvolve-se a criatividade, a capacidade de tomar decisões e ajuda no
desenvolvimento motor da criança, além destas razões, tornam as aulas mais
atraentes para os alunos, são a partir de situações de descontração que o
professor poderá desenvolver diversos conteúdos, gerando uma integração entre
as matérias curriculares.
Os espaços lúdicos são ambientes férteis para a
aprendizagem e o desenvolvimento, principalmente da socialização.
PROPOSTAS DE VIVÊNCIAS
A partir da visualização e breve análise dos quadros a seguir é possível identificar com os educandos quais jogos e brincadeiras eles reconhecem. Tendo como elemento motivador as obras artísticas e o reconhecimento das crianças acerca dos jogos e brincadeiras, existe a possibilidade de vivenciar e registar cada uma das manifestações da cultura corporal dos educandos. Assim, além de estar contribuindo para a formação social e psicomotora dos alunos estarão fazendo um comparativo entre realidades históricas diferentes e preservando, através dos registros, este patrimônio da humanidade: Os jogos e Brincadeiras.
Quadro de Ivan Cruz “Várias brincadeiras II” – 2006.
Quandro de Pieter Brughel que mostra 84 jogos infantis de 1560.
Você já construiu seus brinquedos? Outra possibilidade de vivência é a construção de brinquedo. Apresentaremos algumas possibilidades:
Bilboquê (Tesoura, Papel, cordão, fita adesiva e garrafa pet)
Boliche (10 garrafas pet, papel amassado e fita adesiva)
Bolinha na garrafa (Tesoura, Fita adesiva, garrafa pet e bolinhas de gude)
Vai vem (Tesoura, corda, fita adesiva e 6 garrafas pet)
Cai não cai (Garrafa pet, palitos, bolinhas de gude, estilete)
Peteca de jornal (jornal e fitilho)
Criar de jogo ou brincadeira também pode ser uma vivência enriquecedora para crianças e adolescentes, pois estão desenvolvendo diversas habilidades que serão importantes para seu desenvolvimento biopsicosocial. Um recurso motivador para criar jogos e brincadeiras é usar o jogo embrionário. Esse tipo de jogo consiste em apresentar aos educandos, num determinado espaço, algumas regras (na maioria dos casos o uso de um recurso material ajuda ampliar a criatividade dos envolvidos) e a partir da vivência os envolvidos ajudarão a incluir outras regras em prol de tornar o jogo ou brincadeira mais justo e mais divertido. Vale salientar que é de fundamental importância a mediação do professor para que ajudar os alunos no processo de construção do jogo ou brincadeira, pois a possibilidade de conflitos entre os educados é grande pelo fato que vários querem por suas ideias no jogo em pratica. Caberão todos decidirem quais as sugestões podem tornar a vivência mais justa e divertida. Após essa discussão é importante dar continuidade na vivência afim de verificar se as sugestões foram aceitas positivamente. Assim, esse processo pode durar algumas aulas e quando o professor verificar que houve, acentuadamente, a diminuição de conflitos na vivência é o momento de dar o nome ao jogo ou brincadeira. Segue abaixo uma ficha de registro, uma adaptação da proposta sugerida pelo professor Alan de Aquino Rocha (Atualmente professor da UESB), que pode auxiliar no registro do jogo embrionário.
Pensando na Lei nº 11.645, de 10 março de 2008 que faz referencia a inclusão no currículo oficial da rede de ensino a temática
“História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” sugerimos como vivência os seguintes jogos e brincadeiras: Cultura Indígena: Jurê, luta de galo, disputa de pião e arranca mandioca. Cultura Afro-Brasileira: Chicotinho queimado, capitão do mato, pula corda e elástico.
SUGESTÃO DE REFERENCIAS PARA APROFUNDAMENTOS DE ESTUDO
MEDEIROS, E. B. O lazer no planejamento urbano.
1975
SUSSEKIND, A.; MARINHO, I. P.; GOÉS, O. Manual de
recreação: orientação do lazeres do trabalhador. 1952.
WERNECK, C. L. G. Recreação e lazer: apontamentos
históricos no contexto da Educação Física. 2000.
HUIZINGA, J (1971). Homo ludens: o jogo como
elemento da cultura
BRACHT, V. Educação física escolar e lazer In:
WERNECK, C. L. (Org.). Lazer, recreação e educação física. 2003.
BRUHNS, H.T. O corpo parceiro e o corpo adversário.
1993
DEBORTOLI, J. A. O. Com olhos de criança: a
ludicidade como dimensão fundamental da construção da linguagem e da formação
humana. Revista licere. 1999
Este trabalho que têm como finalidade
conhecer a rotina e o funcionamento de instituições voltadas para o
trabalho de inclusão social de pessoas portadoras de necessidades especiais,
entre elas os cegos, da cidade de Salvador.
Trazemos informações,
obtidas por meio de pesquisas eletrônicas e pesquisa de campo referente ao
Instituto de Cegos da Bahia (ICB). E ao longo desta exposição abordaremos a
origem e a organização da instituição, suas principais propostas sociais, como
funciona, qual o publico alvo e o perfil dos alunos que freqüentam o
IBC, além de uma breve conversa com dois integrantes que possuem inúmeras
vivências neste contexto.
1.2 APRESENTAÇÃO DA
INSTITUIÇÃO E BREVE HISTÓRICO
O Instituto de Cegos da Bahia esta situado na Rua São José
de Baixo, no Barbalho e nasceu do desejo de amparar cegos de todas as idades
que viviam perambulando pelas ruas, sem nenhuma assistência. Sua primeira sede
foi em um casarão localizado na Rua Augusto Guimarães (Barbalho), doado pelo
prefeito Americano da Costa. Esta foi inaugurada no dia 30 de abril de 1933.
Por alguns anos a instituição funcionou neste local, onde os albergados
trabalhavam na confecção de vassouras visando garantir a sua sobrevivência.
No entanto, as
atividades não tiveram tanto êxito, e a manutenção dos cegos se tornara
inviável, mantê-los a alimentá-los necessitava um custo maior do que o que
conseguiam, em vista disso a Diretoria, tendo à frente Edla Lima, iniciou a
construção de um novo prédio composto de acomodações mais amplas e confortáveis,
todavia, a partir desse momento a entidade passou a atender somente crianças e
adolescentes deficientes visuais dos estados da Bahia e Sergipe, servindo como
uma casa de educação, recebendo apoio público e privado com maior amplidão. A
transformação do ICB em uma casa de ensino teve como principal mentor, a
senhora Dorina Nowill, portadora de deficiência visual e criadora da Fundação
do Livro do Cego. Esta filosofia permanece até hoje, porém houve uma ampliação
na faixa etária do atendimento, devido a criação em 1998 do Centro de
Intervenção Precoce.
Segundo Antonio Bahia, professor de educação física do IBC,
as práticas envolvidas nesta instituição tem como base teórica as idéias de
Vigotski. E no período que foi feito esse estudo (2008) a presidenta do instituto era a Srª. Silvia Figueiredo.
2. MISSÃO
Preparar os jovens deficientes para a vida em sociedade.
3. PERFIL DO PÚBLICO ALVO INSTITUCIONAL
O perfil apresentado neste instituto é de crianças e
adolescentes portadores de deficiência visual (Cegos de baixa visão ou sem
visão). Vale salientar que a maioria dos alunos tem a cegueira é secundária,
pois apresentam outras dificuldades como por exemplo: dificuldade de locomoção.
O grupo social que freqüenta o IBC é a classe de baixa renda, provenientes do
subúrbio metropolitano e, em alguns casos, de municípios do interior da Bahia.
4. APROXIMAÇÃO TEÓRICA SOBRE O PÚBLICO ALVO EM QUESTÃO
Para favorecer melhor entendimento acerca das questões
relacionadas a este público alvo a definição de termos que estamos apresentando é
relevante. Nesse sentindo definimos que:
"Deficiência é o termo usado para definir a ausência ou a
disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica. Diz respeito à
biologia da pessoa. Este conceito foi definido pela Organização Mundial de
Saúde. A expressão pessoa com deficiência pode ser aplicada referindo-se a
qualquer pessoa que possua uma deficiência. Contudo, há que se observar que em contextos legais ela é utilizada de uma forma mais restrita e refere-se a pessoas que
estão sob o amparo de uma determinada legislação". (INSTITUTO BRASILEIRO DOSDIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA)
Tratando se neste trabalho de pessoas portadoras de
deficiência visual, reconhecemos que:
"O termo deficiência visual refere-se a uma situação
irreversível de diminuição da resposta visual, em virtude de causas congênitas
ou hereditárias, mesmo após tratamento clínico e/ou cirúrgico e uso de óculos
convencionais. A diminuição da resposta visual pode ser leve, moderada, severa,
profunda (que compõem o grupo de visão subnormal ou baixa visão) e ausência
total da resposta visual (cegueira). Segundo a OMS (Bangkok, 1992), o indivíduo
com baixa visão ou visão subnormal é aquele que apresenta diminuição das suas
respostas visuais, mesmo após tratamento e/ou correção óptica convencional, e
uma acuidade visual menor que 6/18 à percepção de luz, ou um campo visual menor
que 10 graus do seu ponto de fixação, mas que usa ou é potencialmente capaz de
usar a visão para o planejamento e/ou execução de uma tarefa". (PORTAL DA OFTALMOLOGIA)
Segundo Sassaki (2006) a Seção IV do Decreto n. 3.298, de
20/12/99, é intitulada "Do Acesso ao Trabalho" e abrange os artigos
34 ao 44. É possível analisar, sob inspiração do paradigma da inclusão, o
artigos 34 (finalidade da política de emprego). O referido artigo diz:
"Art. 34. É finalidade primordial da política de emprego a
inserção da pessoa portadora de deficiência no mercado de trabalho ou sua
incorporação ao sistema produtivo mediante regime especial de trabalho
protegido". (DECRETO Nº 3298 apud SASSAKI, 2006)
Interpretando este artigo podemos verificar que ele está mal
formulado no trato com os termos “inserção da pessoa portadora de deficiência
no mercado de trabalho ou sua incorporação ao sistema produtivo” podendo ser
redundante ou assegurador confundindo o entendimento de quem queira aplicá-lo a
situações concretas. Importante lembrar que nessa óptica de mercado de trabalho
para os Deficientes Visuais nos últimos 20 anos, foram desenvolvidas
experiências e tecnologias suficientes para colocarmos pessoas com deficiência
"leve, moderada, grave ou severa" no mercado de trabalho competitivo.
Porém, ainda existem pessoas com deficiência que não conseguem trabalhos competitivos,
independentemente de sua deficiência ser "leve, moderada, grave ou
severa".
5. ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO
Este Centro atende em regime de ambulatório, crianças de 0 a 5 anos. O ICB
acolhe aproximadamente 160 deficientes visuais de 0 a 21 anos (sendo que depois
dos 18 anos são encaminhados para Centros de Apoio Pedagógico), que se
encontram distribuídos em ambulatório, internato, semi-internato e Oficina
Pré-Profissional. O Instituto fornece gratuitamente aos deficientes visuais:
alimentação, vestuário, medicamento, material escolar, fardamentos, artigos de
higiene, etc.
A instituição funciona de segunda a sábado, das 7:30h às
20:00h e a escola do Instituto de Cegos da Bahia é conveniada com as
Secretarias de Educação do Estado e do Município. Essa escola funciona no 2º
andar da Instituição e é composta por 15 salas de aulas, uma biblioteca em
Braiile e em Negro, uma sala de SOE, uma sala de A.V.D. e duas salas de
Direção. No andar térreo do Instituto funciona a Oficina
Pré-profissionalizante. Esta destina-se a adolescentes portadores de
deficiência visual, com idade entre 14 e 18 anos, e tem como objetivo
desenvolver habilidades e atitudes específicas nestes jovens.
A Instituição funciona em um prédio próprio de 6 andares e
conta com as seguintes acomodações: Centro de Informática; Oficina
pré-profissionalizante; Biblioteca; Sala de recursos; Instalações sanitárias; Área
de lazer com jardim, piscina e quadra de esportes; Cozinha e refeitório; Escola
especializada; Gabinetes médico clínico, oftalmológico, odontológico, de
psicologia e terapia ocupacional, capela e secretaria; Dormitórios dos alunos
(4º e 5º andares); Lavanderia.
O corpo técnico que dar suporte aos alunos nesta estrutura é
composto de: coordenadora técnica; coordenadora administrativa; coordenadora de
saúde; duas médicas pediatra; duas médicas oftalmologista; duas psicóloga; farmacêutica;
três terapeutas ocupacional; duas assistentes social; duas dentistas; vinte e
seis professores especializados em
D. V.; nutricionista; técnicos em educação física; auxiliar
de reabilitação. Além da equipe de apoio formada pela secretária
administrativa, contador, encarregado de pessoal, administradora interna,
telefonista, motorista, digitador, cozinheiras, zeladores, porteiro e vigia
noturno.
O ICB é dirigido por
voluntários que formam a Diretoria Executiva, renovada de 3 em 3 anos, e pelos
Conselhos Fiscal e Deliberativo que anualmente avaliam as contas e as
atividades desenvolvidas pelos internos.
6. FINANCIAMENTO E MANUTENÇÃO
Segundo o site do ICB (verificado no ano desta pesquisa), a instituição é mantida através dos
pagamentos de anuidades dos sócios (R$ 80,00), promoções sociais, aluguéis de
imóveis, doações sistemáticas ou não e parcerias com os seguintes órgãos:
- SESAB (Secretaria de Saúde do Estado da Bahia);
- Secretaria Municipal de Saúde;
- C.V.B (Centro de Voluntários da Bahia);
- SETRAS (Secretaria de Trabalho e Ação Social);
- SETRADS (Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social);
- CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente);
- SEEBA (Secretaria de Educação do Estado da Bahia);
- Prefeitura Municipal de Salvador;
- Secretaria Municipal de Educação;
- CMASS (Conselho Municipal de Assistência Social);
- MEC (Ministério de Educação);
- CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social);
- ONCE - ULAC (Espanha);
- UFBA (Universidade Federal da Bahia);
- FEBIEX (Federação Baiana das Entidades de Excepcionais);
- CODEF (Coordenadoria de Apoio à Pessoa Portadora de Deficiência);
- CECA (Conselho Estadual da Criança e do Adolescente).
De acordo com relatos de Antonio Bahia, professor que acompanhou o grupo na
visita ao IBC, o principal meio que ajuda na manutenção do IBC é a parceria com
ONGs, principalmente as ONGs de projetos oriundo da Espanha e Portugal que doam
alguns recursos e outro meio que dar suporte na manutenção é o recolhimento de
notas fiscais e de doações da SUDESB e da comunidade.
7. CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO COMO CULTURA CORPORAL
As atividades desenvolvidas na instituição têm como critério
a integração dos portadores à vida social trabalhando as potencialidades dos
alunos, e são oferecidas atividades como: Atividade de vida diária: que permite
exercícios de atividades corriqueiras dentro e fora de casa, como lavar pratos,
forrar camas, usar os cômodos e eletrodomésticos da casa; Atividades de
Educação Física: que permitem o desenvolvimento de suas qualidades motoras,
ajudando-os na locomoção e manuseio de objetos, estas atividades permitem ainda
a prática esportiva e a realização de sonhos e desafios; Aulas de Braile e
Escrita e leitura convencional. Além dessas atividade os alunos tem a
oportunidade de participarem de eventos esportivos, como campeonatos de futsal
para cegos e provas de atletismo, e eventos praticas que envolvem a vivência e
corais musicais e quadrilhas junina.
De acordo com o site da instituição existem atividades de Oficinas
que são desenvolvidas em etapas que incluem: Adaptação - são trabalhos
preliminares que visam desenvolver a coordenação motora e a percepção tátil.
Estes trabalhos são feitos utilizando cerâmica, papel, tesoura, enfiagem de
contas, colagem, placas de eucatex e tranças; Treinamento em habilidades
específicas - tem como objetivo o desenvolvimento da coordenação motora,
habilidade manual, movimento de pinça, hábitos de higiene, atenção concentrada,
lateralidade, uniformidade de movimentos e domínio. Nesta etapa são
desenvolvidas costuras de círculos sol e sereno, bonequinhos de lã e forração
de argolas.
Depois de alfabetizado, o Deficiente Visual é incluído na
escola regular onde ele irá estudar e fazer a concretização no ICB com um
professor especializado na área acadêmica. A parte especializada é composta de: A. V. D. (É o ensino de todas as
atividades diárias que o D. V. aprende para se tornar mais independente.),
Psicomotricidade, Orientação e Mobilidade (É o estudo das técnicas de
locomoção, que visam garantir a independência do D. V.), Braille (É a escrita e
leitura do D. V.), Braille Abreviado, Sorobã (É onde o D. V. aprende
matemática.), Desenho, Treinamento dos Sentidos, Manuscrito e Treinamento da
Visão Subnormal.
8. ENTREVISTA COM O EDUCADOR DO ICB
Antônio Luiz F. Bahia é professor de Educação Física do
Instituto de Cegos da Bahia.
- O que o motiva a realizar esse trabalho?
AB – O emprego, sou um funcionário, ganho pra trabalhar, não
é favor, no entanto, me sinto melhor trabalhando aqui, do que dando aulas numa
faculdade.
- Há quanto tempo realiza esse trabalho, e o fato que mais
marcou nesse período?
AB – 18 anos, esse trabalho me marca a cada dia, porém, as
atividades que estes realizam e que são exemplos de superação, como a quadrilha
junina, os campeonatos de esporte, e de um aluno em especial, o qual consegui
fazer com ele se sentisse solto na piscina, uma vez que não largava a borda;
- As principais dificuldades encontradas para continuar
realizando o trabalho: já pensou em desistir?
AB – Material, mesmo assim transformamos (dificuldades) em potencialidade. Não!
- Os recursos disponíveis são o suficientes para a
realização do seu trabalho? O que mais falta?
AB – Não são. Falta tudo.
- Sua formação lhe preparou adequadamente para atuar com
essa área? De que forma?
AB – Fui me formando na prática com o tempo; graduação,
especialização, mestrado, foi assim.
- Sente-se realizado?
AB – Não. Sinto-me realizado.
9. ENTREVISTA COM O EDUCANDO DO ICB
Matheus é aluno do instituto, catequista em sua comunidade
paroquial, e aprendeu a ler na instituição.
- Suas maiores dificuldades:
M – Acessibilidade.
- Qual a importância da Educação Física fora daqui?
M – Não pratico atividades fora daqui. Porém, as
atividades que realizo aqui me transmitem a possibilidade de transformação,
superação e quebra de limites. Limites não existe, nada é impossível!
- Como é a sua relação com os funcionários?
M – Gosto da relação que tenho com os funcionários, alguns
não deveriam estar aqui, mas nos ensina a conviver.
- qual a importância do ICB na sua vida? Trouxe-lhe algum
benefício?
M – Eu aprendi muito, sobretudo, a me locomover sozinho,
isso me torna independente.
- Quais mudanças você faria na ICB, e o que acrescentaria?
M – Ampliação das aulas de A.V.D., e trocaria alguns
funcionários.
- Sente-se realizado?
M – Sim (conformidade).
10. CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Para tanto, o Instituto de Cegos da Bahia é uma instituição
especializada que atende crianças e jovens onde é os preparam para serem
alfabetizados através do sistema Braille e, nesta fase, inicia o processo de
integração social, aprendizagem nas Atividades da Vida Diária e ampliação de
sua cultura corporal.
Nesta escola os alunos têm acompanhamento de professores
especializados no trato com deficiência visual que auxiliam no seu
desenvolvimento psicossocial. Além do apoio pedagógico, o aluno, também, terá
acesso médico, odontológico, oftalmológico e terapêutico ocupacional e participam
de atividades musicais como aula de música, piano e coral. Nas aulas de educação
física existem práticas de natação e futsal.
Assim, desde sua inauguração, o IBC acredita em um trabalho
integrado com finalidade de acompanhar o desenvolvimento neuropsicomotor da
criança cega ou com visão subnormal, prevenindo, desta forma, alterações físicas e
psicológicas que possam comprometer o seu desenvolvimento global, preparando-a
desde a primeira infância para sua inserção no meio social e familiar.
Vale salientar que um dos fatores principais que influenciam
o trabalho do IBC é o contexto de vida do aluno influencia e a falta de recursos.
E as aulas de educação física influenciada por esse contexto e falta de
recursos acontece, em muitas vezes, com improvisação de materiais e com muita
criatividade dos professores. Pois, é nesse ambiente que as crianças e jovens
aprendem desde brincadeiras simples a jogos complexos. A partir de uma reunião de
uma equipe multidisciplinar comprometida com o projeto institucional voltado
para a criança portadora de deficiência visual, cuja dinâmica de trabalho
consiste na avaliação diagnóstica e elaboração de programa terapêutico
direcionado para as necessidades individuais de cada caso.
REFERÊNCIAS
INSTITUTO DE CEGOS DA BAHIA. Informações gerais. Acesso em:
7 set. 2008. Disponível em: www.institutodecegos.org.br.
INSTITUTO BRASILEIRO DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM
DEFICIENCIA. Informações gerais. Acesso em: 8 set. 2008. Disponível em: www.ibdd.org.br.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade
para todos. 7.ed. Rio de Janeiro: WVA, 2006.
Equipe que possibilitou a elaboração e sistematização deste estudo: Marielson Alves, Antonio Bahia, Romero Araujo, Eliney Pitangueiras e Fernando Moura.
A
cultura indígena sempre esteve presente em nosso país e influência
constantemente as tradições do país. Considerando sua importância acreditamos
que a escola tem que estar constantemente em contato com as tradições brasileiras,
eis uma possibilidade de inserir no currículo escolar os elementos da cultura
indígena através da Educação Física.
A
Lei nº 11.645 de 10 de março de 2008 foi sancionada,
e obriga as escolas incluir elementos da cultura indígena no currículo escolar tanto
na rede particular quanto pública.
Essa exigência é uma iniciativa rica em conhecimentos relativos ao resgate cultural
no ambiente escolar, propiciando aos alunos maiores oportunidades de conhecer o
processo de construção do país, bem como compreender e identificar elementos da
cultura corporal característicos dos povos indígenas.
No
âmbito da cultura corporal os jogos e brincadeiras indígenas apresentam uma
variedade imensa de possibilidades de vivências e reflexões significativas para
serem estudadas nas aulas de Educação Física. Assim, é de suma importância que nós
professores busquemos meios de se informar a respeito dessa cultura em prol de
ampliar o nível cultural de nossos educandos.
Desenvolver trabalhos acerca da questão indígena na escola é fazer com que o
país conheça a si próprio, oferecendo ao educando condições para estar em
contato com as tradições do nosso Brasil, buscando sua valorização, promoção e
preservação.
Sugestão de brincadeiras que apresentam elementos da cultura indígena que podem ser desenvolvidas nas aulas de Educação Física : Arranca Mandioca, Disputa de pião, Luta de galo, Jurê, Corrida e pescaria.
Breve Histórico Nas décadas de 70 e 80 surgiram movimentos
renovadores na Educação Brasileira. E a Psicomotricidade se destacou com variantes como a
“psicocinética” de Jean Le Boulch (1978) que contestava a forma que acontecia a Educação Física, enfatizando que a “psicocinética” é uma teoria geral do movimento para ser usado
como meio de formação que privilegiava o estimulo ao desenvolvimento psicomotor,
especialmente a estruturação do esquema corporal e as aptidões motoras. Le
Boulch afirmava que através da pratica do movimento essa estruturação e
aptidões eram melhoradas. Mas, em contraposição, o ministério dos Esportes, na época, entendia
que a Psicomotricidade era proposta interessante apenas para a Educação de crianças
deficientes, enquanto as crianças "normais" deveriam ter a formação esportiva para
terem melhores resultados no esporte.
Valência Psicomotora: Equilíbrio.
Significado: PSICO: Intelectual, cognitivo emocional, afetivo, mental e neurológico.
MOTRICIDADE: Movimento, ato, ação, gesto.
Valência Psicomotora: Lateralidade.
Valência Psicomotora: Coordenação motora.
Algumas Definições:
JEAN LE BOULCH: Tem por finalidade assegurar o
desenvolvimento funcional, tendo em conta as possibilidades das crianças e
ajudar sua afetividade a expandir-se e equilibrar-se através do intercâmbio com
o ambiente humano.
HENRI WALLON: Propicia o estudo da função tônica da
musculatura e sua relação com o emocional.
JEAN PIAGET: Essa ciência trata da relação entre o
homem, seu corpo, o meio físico e sóciocultural na qual convive.
ADRIANA DUARTE: Psicomotricidade é um termo empregado para
uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências
vividas pelo sujeito.
Enfim, a psicomotricidade é a ciência que estuda o homem
através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo externo e interno
e, de suas possibilidades de perceber, atuar e agir com o outro, com os objetos
e consigo mesmo.
Tampi-pista: Habilidades de coordenação motora e socialização.
Educação Psicomotora
A Educação Psicomotora é um meio para auxiliar a
criança frente às dificuldade e a superação das mesmas. Proporcionando
condições mínimas de bom desempenho acadêmico ao educando.
A Educação Psicomotora pode ser preventiva e
reeducativa.
Preventiva: Quando oferece condições à criança de
desenvolver-se melhor em seu ambiente. Reeducativa: Quando trata indivíduos que apresentam desde o mais leve atraso motor até problemas mais sérios.
Basquetinho: Estruturação espacial, socialização e força.
Golzinho: Estruturação espacial, socialização e coordenação motora.
Slike Line: Socialização, controle muscular, concentração e equilíbrio.
Imagens: Algumas vivências de turmas do ensino fundamental I (1º ciclo) da Escola Municipal Engenheiro Gilberto Pires Marinho durante as aulas de Educação Física em 2015. Referencial Teórico: DUARTE, A.F. Psicomotricidade e suas implicações na Alfabetização. São Paulo: All Print Editora. 2014
Após meses de treinos e jogos concluímos nossa participação nos Jogos Escolares da Rede Pública em 2015. Grandes desafios foram postos e todos superaram com maestria. Importantes aprendizagens que servem como incremento para a formação de cidadãos conscientes de suas responsabilidades. Assim, com a certeza que os objetivos foram alcançados, agradecemos a colaboração de todos envolvidos e em especial a direção da escola e os estudantes que compram os times A e B.
Formação de equipes A e B para o Futsal.
Expectativa para o primeiro jogo no ginásio do Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho.
Preparação para o primeiro jogo da fase de grupos.
Declaração de vitoria do time A por W.O. no primeiro jogo.
Composição do time A que ganhou o primeiro jogo da fase de eliminatórias.
Edison Carneiro (São Caetano) X Praia Grande (Mirantes de Periperi)
Jogo difícil: 1x0 para o time A do Edison de Carneiro.
Edison Carneiro (São Caetano) X Maria Amélia (São Marcos).
Não foi dessa vez. Derrota do time B Edison Carneiro por 5X1.
Volta para casa após os jogos do time A e B na Escola Estadual Duque de Caxias.
Aquecimento para jogo na Escola Estadual Severino Vieira.
Composição do time A do Edison Carneiro que jogou Com time da Escola Alberto Santos Dumont segunda fase de eliminatória.