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| Seminário REDAP 2026 |
Essa produção intitulada A Educação Física Escolar na reforma do Ensino Médio com um olhar para as políticas educacionais e desdobramentos no contexto baiano trata-se de uma resumo apresentado no dia 10 de junho de 2026 no II Seminário Nacional e I Seminário Internacional da Rede Diversidade e Autonimia da Educação Pública (REDAP) pelo Marielson Nascimento Alves, professor da rede pública estadual da Bahia e discente do Programa de Mestrado Profissional em Educação Física (PROEF) no polo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).

INTRODUÇÃO
O Ensino Médio brasileiro tem se constituído, nas
últimas décadas, como um espaço de intensas disputas em torno de sua
identidade, finalidade formativa e organização curricular. Apesar de
corresponder à etapa final da educação básica, apresenta fragilidades
históricas relacionadas à sua função social e à garantia do direito à formação
integral dos estudantes. Nesse cenário, a Reforma do Ensino Médio, instituída
pela Lei nº 13.415/2017 e articulada à implementação da Base Nacional Comum
Curricular (BNCC), promoveu mudanças estruturais significativas, como a
ampliação da carga horária, a flexibilização curricular e a criação dos
itinerários formativos.
Essas transformações impactam diretamente os
componentes curriculares, entre eles a Educação Física, que passa a ocupar um
lugar reconfigurado no interior da área de Linguagens e suas Tecnologias. Tal
reposicionamento intensifica disputas sobre sua obrigatoriedade, sua função
formativa e sua permanência no currículo, especialmente em um contexto marcado
pela flexibilização e pela diversificação dos percursos formativos.
No estado da Bahia, esse processo materializa-se
por meio do Documento Curricular Referencial da Bahia (DCRB), aprovado em 2022,
que orienta a implementação do chamado Novo Ensino Médio (NEM). A construção
desse documento ocorreu em meio a tensões entre o atendimento às normativas
nacionais e a tentativa de valorização das especificidades regionais,
evidenciando contradições próprias das políticas educacionais contemporâneas.
Diante disso, o presente trabalho analisa a
Educação Física Escolar no contexto da Reforma do Ensino Médio, destacando os
impactos das políticas educacionais nacionais e seus desdobramentos no contexto
baiano.

O objetivo geral deste estudo é analisar os
impactos da Reforma do Ensino Médio sobre a Educação Física Escolar na rede
pública estadual da Bahia.
Como objetivos específicos, busca-se: compreender
as bases políticas e ideológicas que orientam a reforma; analisar o processo de
construção e implementação do DCRB; identificar os impactos da reorganização
curricular sobre a Educação Física; e discutir as contradições entre o plano
normativo e sua materialização nas escolas públicas.

METODOLOGIA
A pesquisa fundamenta-se em uma abordagem
qualitativa, de caráter analítico-documental, articulada à experiência
profissional do autor no processo de elaboração do Documento Curricular
Referencial da Bahia. Foram analisados documentos oficiais, como a BNCC, o
Plano Nacional de Educação (2014–2024) e o DCRB, além de produções teóricas do
campo das políticas educacionais e da Educação Física crítica.
A análise parte da compreensão das políticas
educacionais como arenas de disputa entre diferentes projetos de sociedade,
buscando evidenciar tensões entre uma perspectiva orientada pela formação
humana integral e outra alinhada à racionalidade neoliberal, marcada pela
flexibilização curricular, pela gestão por resultados e pela adequação às
demandas do mercado.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados indicam que a Reforma do Ensino Médio
está inserida em um movimento mais amplo de reconfiguração das políticas
educacionais, fortemente influenciado por princípios neoliberais. Nesse
contexto, observa-se a centralidade de discursos que valorizam a flexibilização
curricular, o protagonismo juvenil e a diversificação dos percursos formativos,
ao mesmo tempo em que se fragiliza a garantia de uma formação comum
consistente.
No estado da Bahia, a elaboração do DCRB
representou um esforço coletivo de construção curricular, envolvendo
professores da rede pública e técnicos educacionais. Contudo, esse processo foi
atravessado por contradições, especialmente pela necessidade de adequação às
diretrizes nacionais e pelas condições adversas impostas pelo período
pandêmico, que limitaram a participação dos estudantes e dificultaram o debate
ampliado.
A implementação do Novo Ensino Médio revelou
fragilidades significativas, como a ausência de formação docente adequada, a
reorganização curricular acelerada e a ampliação de componentes para os quais
muitos professores não possuem formação específica. Esse cenário impacta
diretamente as condições de trabalho docente e a qualidade da oferta
educacional, gerando insegurança e sobrecarga profissional.
No que se refere à Educação Física, observa-se o
risco de perda de centralidade curricular, decorrente da flexibilização e da
reorganização da formação geral básica. Historicamente consolidada como
componente comprometido com a cultura corporal e com a formação crítica dos
estudantes, a área passa a ser tensionada por lógicas que podem reduzir seu
tempo pedagógico e comprometer o acesso sistematizado aos seus conteúdos.
Além disso, as desigualdades territoriais no estado
da Bahia intensificam os efeitos da reforma. A organização em Territórios de
Identidade evidencia assimetrias estruturais que impactam diretamente a
capacidade das escolas de ofertar os itinerários formativos previstos. Nesse
contexto, a flexibilização curricular pode aprofundar desigualdades
educacionais, limitando o acesso dos estudantes a determinados conhecimentos e
experiências formativas.
Assim, a distância entre o que é prescrito nas
políticas e o que é efetivamente realizado nas escolas revela limites
estruturais importantes, evidenciando que a materialização da reforma depende
de condições que extrapolam o plano normativo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise evidencia que a Reforma do Ensino Médio,
embora apresentada como estratégia de modernização da educação, produz efeitos
contraditórios quando implementada no contexto das redes públicas. No caso da
Bahia, o DCRB constitui um marco relevante ao buscar articular diretrizes
nacionais e especificidades regionais, mas sua efetivação ocorre em meio a
desafios estruturais, formativos e políticos.
Para a Educação Física Escolar, os impactos são
particularmente significativos, exigindo a defesa de sua centralidade no
currículo e da garantia do acesso aos conhecimentos da cultura corporal como
direito social. A flexibilização curricular, quando não acompanhada de
condições materiais adequadas, tende a fragilizar esse direito e a ampliar
desigualdades.
Diante disso, torna-se fundamental fortalecer uma
perspectiva de justiça curricular, capaz de reconhecer as desigualdades
territoriais e promover práticas pedagógicas comprometidas com a formação
integral, a equidade e a valorização das identidades culturais.
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