sexta-feira, 19 de março de 2021

A "Juventude" é apenas uma palavra

Texto elaborado em 22 de janeiro de 2021, referente a uma das produções feitas durante o Curso de Especialização em Políticas Públicas, Infâncias, Juventudes e Diversidade da Universidade de Brasília durante experiências com o componente curricular: Políticas públicas e Interdisciplinaridades que teve como docente: Vicente de Paula Faleiros e uma turma de discentes simplesmente fantástica.


Sinopse – A “juventude” é apenas uma palavra

Entrevista com Pierre Bourdieu extraída das paginas 112 a 121 do livro Questões de Sociologia de 1983.

Temática do texto: Este texto traz considerações relacionadas aos entendimentos acerca das juventudes em uma visão sociológica com algumas reflexões acerca do ser jovem e de sua relação com a escola e sua inserção no mundo trabalho.

As ideias centrais apresentadas na entrevista da pelo autor perpassam por reflexões acerca das possibilidades de compreender a relação entre a juventude e a velhice e, também pela análise do impacto das transformações e divisões de classes sociais na constituição das aspirações nos projetos de vida das juventudes. Além disso, foi percebido que o texto apresenta aproximações com a concepção histórica e crítica e está alinhado ao campo de estudo que investiga a e tenta compreender a pratica social.

Logo no inicio do texto o autor afirma que em todas as sociedades existem disputas entre a juventude e a velhice. Depois discorre sobre uma estrutura social onde a divisão lógica entre jovens e velhos não devem ser considerados apenas a complexa relação idade biológica e idade cronológica, mas também as questões de gênero e classe na divisão de poderes.  

Em seguida o autor apresenta considerações do o ser adolescente para argumentar a existência de duas juventudes, uma conectada a burguesia e outra a classe operária. A partir daí destaca as diferenças entre as classes fazendo conexões com a transformação do sistema escolar e as perspectivas de inserção ao mundo do trabalho.

Para tanto o autor reconhece que os questionamentos acerca da escola e do trabalho é global, mas esse questionamento precisa ter mais consistência pare reconhecer os fracassos e para suportá-los. E retoma as discussões acerca da juventude e velhice salientando que o sistema escolar é o local onde as gerações convergem.

“somos sempre o jovem ou o velho de alguém” (BOURDIEU, 1983 p.2). Esse recorte do texto estimula a refletir as subjetividades ou as complexidades que envolvem o ser jovem e o ser velho. A depender do ponto de vista, do momento histórico, da raça, gênero e classe social de quem busca identificar ou compreender esse recorte geracional se torna um processo de diversas descobertas.

Uma das grandes contribuições desse texto para as próximas ações profissionais direcionadas ao público adolescente é o reconhecimento de que essa fase é marcada pela irresponsabilidade provisória onde os mesmos são adultos para algumas coisas e são crianças para outras. Essa observação abre espaços para ampliação de compreensões acerca do estudante adolescente e das suas relações no ambiente escolar.

Referência

BOURDIEU, Pierre. A "juventude" é apenas uma palavra. In: Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero. 1983. p. (112-121). Disponível em: http://www.observatoriodoensinomedio.ufpr.br/wp-content/uploads/2014/04/a-juventude-e-apenas-uma-palavra-bourdieu.pdf. Acesso em: 15. Jan. 2021.

Educação Física, Saúde e Bem-estar: Caminhos para aprender no ensino remoto.

Trata-se de conteúdo apresentado na Live pelo Instagram do Colégio Estadual Professor Edson Carneiro no dia 19 de março de 2021 como uma ação para acolhimento dos estudantes e da comunidade desse colégio. 

Organizado pela coordenação e gestão escolar a live abordou o tema Educação Física, Saúde e Bem-estar: Trilhando caminhos para aprender no ensino remoto e contou com a participação dos professores de Educação Física Marielson Alves e de Biologia Valter Barbosa.


 

TOP 10

Dicas para cuidar da saúde e do bem estar nessa fase de ensino remoto.


10 – INICIATIVA

Saia da zona de conforto.

9 – PREPARE O ESPAÇO

Se possível em local arejado, separe uma toalhinha, escolha lugar que lhe permita fazer os exercícios escolhidos.

8 – ESTIPULE UM HORÁRIO FIXO

É preciso criar uma rotina, escolher horário que se sentir mais confortável para se exercitar.

7 – APROVEITE OS SEUS RECURSOS TECNOLÓGICOS

Aulas online, Canais no Youtube, Aplicativos.

6 - RESPEITE SEUS LIMITES

Para os iniciantes é importante respeitar seus limites, adaptar às necessidades individuais e transformar a prática de atividade física uma rotina. É importante progredir gradualmente.

5 – CUIDADO COM A ALIMENTAÇÃO

Nada de fazer exercício sem se alimentar ou fazer exercício logo após se alimentar (ideal após 30min).

4 – DÊ ATENÇÃO AO ALONGAMENTO

Importante na preparação ou no relaxamento.

3 – RESPIRE BEM

Tenham cuidado com a respiração durante exercício, evitar segurar o ar quando fazer força, dedicar um tempo no final dos treinos à respiração.

2 – DURMA BEM

Importante o tempo de descanso do corpo, para recuperação do corpo e para manutenção de funções do nosso organismo.

1 – CUIDADO COM A POSTURA

Passar muitas horas na frente do celular, computador ou ate assistindo tv sentado de forma inadequada podem geram problemas principalmente na coluna.

DICA DE OURO –  SE MOVA

Importante que reservar pelo menos 30 minutos do seu dia para se exercitar. Pode ser dois tempos de 15 ou um de 30 minutos, o importante é se movimentar.

Polichinelo, abdominal, apoio, agachamento são os mais conhecidos e ideais para iniciantes ou quem já possui um bom condicionamento físico, mas se você gosta ou é adepto de algum esporte pode também aproveitar esse momento para melhorar seu gesto esportivo ou realizar exercícios funcionais.

Autor: Marielson Alves (Professor de Educação Física, Especialista em Educação Física, Desporto escolar, Artes marciais e Lazer)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Branquitude e Branqueamento & Boa esperança

Produção feita por Marielson N. Alves como etapa do processo formativo do componente curricular: Questão Racial, Cultura e Diversidade referente ao curso de Especialização em Políticas Públicas, Infâncias, Juventudes e Diversidade com a supervisão da professora Marjore Chaves da Universidade de Brasília.

Este texto visa apresentar algumas conexões entre algumas percepções a partir da leitura do artigo Branqueamento e Branquitude no Brasil de Maria Aparecida Silva Bento (2002) e a análise da letra e do videoclipe oficial da música Boa Esperança de autoria do Leandro Roque de Oliveira (rapper, cantor e compositor Emicida).

Uma temática perceptível na leitura do artigo, da letra da música e do vídeo clipe acima mencionado é trato das relações raciais no Brasil e a reprodução do racismo com conexões de elementos que indicam alusões ao período de escravidão e o estimulo à análise crítica das realidades. Segue recortes de uns dos trechos da letra da música do Emicida, lançada em 2015, que expressam resgate histórico e representam a realidade contemporânea:

“... E os camburão o que são?
Negreiros a retraficar
Favela ainda é senzala...”

 

“... O tempero do mar foi lágrima de preto
Papo reto, como esqueletos, de outro dialeto
Só desafeto, vida de inseto imundo
Indenização? Fama de vagabundo
Nação sem teto, Angola, Ketu, Congo, Soweto...”

 

Uma representação da construção do imaginário negativo sobre o negro que dialoga com as ideias acerca da branquitude citada pela Bento (2002, p.2-3).

Como desdobramento da temática que percebemos podemos destacar a discriminação racial e a defesa de interesses do branco. Para Bento (2002, p.4)  essa discriminação se apresenta como uma forma de manutenção e conquista de privilégios. O que instiga a refletir acerca da parte inicial do refrão da música com possíveis conexões com ideia de manutenção de interesses do branco: “... Pra sua guerra vão nem se lixar, Esse é o X da questão...”. E, também, com a ideia de discriminação racial evidente no trecho: “...Médico salva? Não! Por que? Cor de ladrão...”.

Como um dos aprofundamentos do texto da Bento (2002, p.5) temos o conceito de exclusão moral a desvalorização do outro como pessoa e como ser humano. Fica perceptível exclusão em partes da letra da música do Emicida, mas a cena da mulher jovem negra que se apresentou com autoestima elevada foi assediada pelo senhor branco e em seguida a senhora branca a empurrou a jovem negra na parede e retirando o batom. Gerando indignação e desvalorização moral, onde o foco é a negra e há um silenciamento do branco.

Nesse contexto ainda podemos analisar criticamente a culpabilização da população negra em diversas problemáticas sociais enquanto o papel ou a intervenção do branco nessas situações pouco são discorridas e marca existente abismo das desigualdades raciais e das diferenças de classe.

Para tanto, a busca de respeito aos negros e reconhecimento de seu real valor histórico e social são convergências nos textos analisados e auxiliam a compreender os sistemas de dominação do pondo de vista do dominado.  

REFERÊNCIAS

BENTO, Maria Aparecida Silva. Branqueamento e branquitude no Brasil. In: Psicologia social do racismo – estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil / Iray Carone, Maria Aparecida Silva Bento (Organizadoras) Petrópolis, RJ: Vozes, 2002, p. (25-58). Acesso em: 18. Jan. 2021. Disponível em: http://www.media.ceert.org.br/portal-3/pdf/publicacoes/branqueamento-e-branquitude-no-brasil.pdf

DE OLIVEIRA, Leandro Roque (Emicida). Música: Boa Esperança. Acesso em: 14. Jan. 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=AauVal4ODbE&feature=emb_logo


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Equipes de Basquete Feminino do Colégio Estadual Edson Carneiro representam a Bahia nos Jogos Escolares da Juventude 2019

Composta por 18 pessoas, entre estudantes atletas e professores do Colégio Estadual Professor Edson Carneiro e com total apoio da gestão escolar do Senhor Paulo Silva as equipes de basquete feminino integraram a delegação baiana que viajou para Natal (RN), onde participaram, de sábado 21 a terça-feira 24 setembro de 2019, da etapa regional Nordeste dos Jogos Escolares da Juventude dentro das faixas etárias de 12 a 14 e de 15 a 17 anos. Antes do embarque, agendado para 22h do dia 20 de setembro de 2019, estudantes, pais e professores participaram de um encontro com a presença dos secretários estaduais da Educação (SEC) e do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE), além do diretor geral da Superintendência dos Desportos do Estado (SUDESB), e do consultor da Federação Baiana de Esporte Escolar, no auditório do Centro Pan-Americano de Judô (CPJ), em Lauro de Freitas, para receber algumas orientações técnicas. 

Na etapa Regional Nordeste, a rede pública estadual foi representada por três equipes: Duas de basquete feminino do Colégio Estadual Professor Edson Carneiro, localizado no bairro de São Caetano, em Salvador, e uma equipe de futsal feminino, do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, de Juazeiro.

Animadas e, ao mesmo tempo ansiosas, as estudantes integradas à delegação baiana participaram da reunião de instrução, comprometidas com a missão de lutar por grandes conquistas para o Estado. Foi o caso da atleta Rafaela Silva, 14 anos, 9º ano do Colégio Estadual Professor Edson Carneiro, também fala do seu orgulho de competir fora da Bahia. “Esta é a segunda vez que viajo para fora, defendendo o basquete, mas a emoção é de estreante. Estou muito orgulhosa, mas também muito ansiosa para chegar logo a hora de jogar. Espero trazer a medalha”.  

Rafaela Silva, capitã da equipe 12-14 anos de Basquete Feminino 2019 do Colégio Estadual Professor Edson Carneiro.

O secretário de Educação da Bahia Jerônimo Rodrigues falou da relevância do esporte na vida escolar e desejou sucesso às equipes que foram disputar os jogos coletivos em Natal. E parabenizou as equipes que foram representar a Bahia nos Jogos Escolares, reforçando políticas de apoio ao esporte e valorização das juventudes. 

O coordenador executivo de Projetos Estratégicos, Marcius Gomes, também destacou a importância do esporte na vida escolar. Com ressalvas sobre estudos que apontam que o esporte é um dos veículos estratégicos utilizados para a manutenção do estudante na escola, ampliando garantias de aprendizagens. Destacando o JERP (Jogos Estudantis da Rede Pública) que comemorou dez anos e vem contribuindo para elevação da cultura esportiva da rede pública estadual da Bahia.

A delegação baiana viajou em voo fretado pelo Governo da Bahia e as equipes de basquete feminino do Colégio Estadual Professor Edison Carneiro formas compostas na Categoria 12-14 anos por Rafaela Silva (Capitã), Julia Nunes, Rebeca Abade, Maria Eduarda Batista, Julia Braga, Evelyn Teles, Ana Carolina Portugal e Raissa Reis. Na categoria 15-17 anos por Maressa Lopez (Capitã), Brena Oliveira, Erica Gomes, Maria Julia Portugal, Juliana de Jesus, Ellen dos Santos, Talita Ferrer, Laize Ávila. Tendo como professor responsável Marielson Alves e professor convidado Ivã Justino.

Equipes 12-14 e 15-17 do Colégio Estadual Professor Edson Carneiro e equipe técnica participantes dos Jogos Escolares da Juventude 2019 - Natal/RN.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

A Educação Física na Escola: Reflexões sobre o cenário atual

A Educação Física Escolar apresenta-se em um cenário de diálogos com as perspectivas abordadas na Base Nacional Comum Curricular - BNCC e com a reafirmação de sua legitimidade na Educação Básica.

A busca pelo alinhamento da Educação Física Escolar com a BNCC este componente curricular foi alocado na área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, junto aos componentes: Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna e Arte. Mas, vale salientar que a Educação Física poderia ter sido inserida na área de Ciências Humanas e suas tecnologias, por ter ligações importantes com os conhecimentos produzidos historicamente, naquilo que se convencionou denominar de Cultura Corporal. Além disso, poderíamos defender que a Educação Física fosse agrupada à área de Ciências Naturais, com considerações sobre saúde e qualidade de vida, interfaces abordadas que possuem elo com o componente: Biologia.

Dessa forma a Educação Física indica compreensões e contextualiza a comunicação humana através das abordagens com a Linguagem Corporal (DARIDO, 2002 p.141 - PCN+). Mesmo com sua relevância, comprovada em sua vasta produção cientifica, esse componente, contraditoriamente, vem perdendo legitimidade na Educação Básica. Revelando que a atual concepção educacional de muitos sistemas de ensino tem como destaque a linguagem escrita como a única manifestação de um texto.

Antes mesmo da comunicação através das palavras e da escrita, os seres humanos se comunicavam por meio do movimento e do corpo. Corpo esse que sente, se expressa e se movimenta. Corpo que, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (2000, p.38), ao mesmo tempo integra o individuo na realidade do mundo e se apresenta carregado de significados.

Conforme Neira (2009, p.9) o repertorio de gestos e práticas corporais cultivadas na comunidade escolar nem sempre é valorizado pelas instituições educativas. A cultura de privilegiar a dimensão cognitiva não pode secundarizar outras dimensões importantes para a formação dos educandos. Propomos que isso precisa ser repensado no sentido de considerar o emocional, o corporal e o social para que os sistemas de ensino tenham melhores perspectivas de desenvolvimento de uma educação de qualidade.

Outra questão relevante nesse cenário é a necessidade de ampliar oportunidades no campo da Cultura Corporal tendo em vista que a incidência cada vez maior de jovens obesos, o pouco acesso a diversificadas praticas corporais na infância entre outros conhecimentos que contribuem para a compreensão básica que favoreça a autonomia dos estudantes. Inclusive a diretriz IV do artigo 27 da Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional contribui com indicações que versa sobre a importância da promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais.

Para tanto cabe aos professores recuperar o prestigio perdido nas ultimas décadas, propondo e desenvolvendo intervenções que realmente alcancem os objetivos coerentes com a contemporaneidade e reafirme a legitimidade da Educação Física em todas as etapas do ensino. Além disso, é imprescindível que os sistemas de ensino realizem formações inovadoras continuadas que dialogue com contexto local e global, e por ultimo, não menos importante, as universidades precisam periodicamente rever seus currículos visando acompanhar a dinâmica das transformações sociais e as necessidades reais no cenário da Educação Básica visando melhorias na qualidade da formação integral dos milhares de estudantes.

Autor: Marielson Nascimento Alves


A Educação Física na Contemporânea - Algumas possibilidades

Vivências do conteúdo Lutas com a turma do 7º ano do Colégio Estadual Professor Edison Carneiro em 2019 - Fazer o uso de uma proposta curricular que aborde vifersificados conhecimentos no Ensino Fundamnetal.


Vivência com a brincadeira Pato Ganso com a turma do 2º ano da Escola Municipal Assistência Social São José em 2019 - Trabalhar valores e a questão emocional com a turma contribui para o melhor desenvolvimento das aulas e para o aprendizado significativo.

Vivência Rede Humana durante os estudos sobre o voleibol com a turma do 7º ano do Colégio Estadual Professor Edison Carneiro em 2019 -  Contemplar as praticas tradicionais e fazer adaptações nas praticas corporais para que todos tenham oportunidades de acesso ao conhecimento pode ajudar na redução de desigualdades.

Vivência da afetividade com a turma do 2º ano da Escola Municipal Assistência Social São José em 2019 - Estimular a reflexão das praticas e ampliar vinculos de amizade corrobora para melhores entendimento sobre os diferentes conhecimentos e também para melhorias na relações inter-pessoais e intra-pessoais.

Participação de estudantes do Colégio Estadual Edison Carneiro no evento intitulado: Dialogos com a juventude, promoviso pelo Instituto Anisio Teixeira em 2019 - Proporcionar experiencias fora do ambiente escolar contribui para ampliação da visão de mundo dos alunos e ainda ajuda na construção das identidades, além de valorizar a propria escola.

Final das atividades da equipe de Basquete Feminino do Colégio Estadual Edison Carneiro em 2019 - Oportunizar ao acesso ao desporto educacional é uma possibilidade decisiva na transformação social de estudantes, alem de ampliar o acesso às praticas da cultura corporal podendo haver dialógos com outras propostas pedagógicas.


quarta-feira, 31 de julho de 2019

Função da Educação na Formação do Sujeito

A Educação historicamente assume papel relevante na vida das pessoas por estar vinculada ao mundo do trabalho e à prática social, atualmente, se reestrutura frente às novas tecnologias, às novas perspectivas pedagógicas e às diversidades de realidades, com papel fundamental no processo de informação e formação dos sujeitos.

Amparado pela a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (Lei 9394/96), a educação tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.

Caracterizada pela socialização de conhecimentos acumulados pela humanidade que possibilita aos sujeitos alcançarem o desenvolvimento de suas potencialidades, ao longo da vida, pois o principio básico da educação é a formação integral para a vida no mundo, ou melhor, a vida em sociedade. Compondo um conjunto de experiências de caráter social que contribui para grandes transformações individuais e coletivas importantes para o desenvolvimento da identidade e autonomia, para a formação da consciência crítica e para ampliação da visão de mundo. Dessa forma, segundo Edgar Morin (1990), o papel da educação é ensinar a enfrentar a incerteza da vida, em outras palavras, o papel da educação é de instruir o espírito a viver e a enfrentar as dificuldades do mundo.

Nas ultimas décadas mudanças profundas ocorreram em escala mundial, entre elas o avanço da tecnologia de informação e a globalização, ampliando exigências da sociedade em questões que envolvem a educação sintetizando a busca pela qualidade, entretanto, paradoxalmente, cada vez mais as políticas de estado restringem o financiamento de atividades especificas das instituições educacionais, especialmente em países como o Brasil. Um país em que as desigualdade sociais, o desemprego, a pobreza, a fome, a violência, a desestruturação das famílias e pouca de valorização da educação aliado a problemas ambientais torna o cenário educacional tão complexo diante da diversidade de contextos que os sujeitos estão inseridos.

Dessa forma, consciente da complexidade que envolve o processo educativo e de que a educação é um dever compartilhado entre a família e o Estado é importante que os sujeitos, em sua formação para a vida, possam ler criticamente a sociedade e participar dela atuando para, na medida do possível, melhorá-la buscando a valorização e a apropriação de conhecimentos aliado a ações políticas-administrativas em prol do desenvolvimento continuo de educação com qualidade e que contemple a diversidade dos sujeitos de forma equitativa e efetiva.

Autor: Marielson Nascimento Alves 
(Prof. Especialista em Educação Física, Desporto Escolar e Artes Marciais)

Turma que concluiu o Ensino Médio em 2018 no Colégio Estadual Edson Carneiro.

domingo, 7 de julho de 2019

O judô como elemento de inclusão social no Colégio Estadual Edson Carneiro

Socialização de recortes das intervações no Colégio Estadual Edson Carneiro com o projeto Judô Evolução durante o periodo de março de 2016 a dezembro de 2018 desenvolvido pelo Professor de Educação Física e faixa preta 2º Dan Marielson Alves no turno vespertino.

Inicio do projeto Judô Evolução em 2016 na quadra do Colégio Estadual Edson Carneiro.

INTRODUÇÃO
A comunidade escolar é um espaço de convivência caracterizado pela pluralidade de conhecimentos e com variadas formas de manifestações sociais e culturais. Desta forma, para realizar estudos acerca de ações inclusivas na escola faz-se necessário considerar o contexto, dentro e fora da escola, que os estudantes estão inseridos.
Este estudo apresenta algumas abordagens que fundamentam a importância do judô na escola. E, também, vivências com o Projeto Judô Evolução, desenvolvido no Colégio Estadual Edson Carneiro localizado em São Caetano, bairro periférico de Salvador (BA). Com o objetivo de comprovar que a pratica do judô na escola pública evidencia-se como elemento de inclusão social, este estudo apresenta os impactos positivos na formação educativa integral de crianças e adolescentes através das vivências com o judô além de apontar as características que tornam o judô um importante aliado à formação educacional.

Final da aula no Colégio Edson Carneiro em 2017.

CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO E ASPECTOS HISTÓRICOS
Considerado elemento da cultura corporal (COLETIVO DE AUTORES, 1992 p. 62) o judô possui raízes nipônicas e com origem no final do século XIX. Criado por Jigoro Kano com base nas técnicas de um sistema de autodefesa tradicional japonês denominado jujitsu. Segundo Sugai (2000 apud De Souza, 2012 p. 1) a intenção de Jigoro Kano foi transformar uma arte marcial tão antiga e popular em outra que se propõe em auxiliar na formação integral do ser humano.
Segundo as pesquisas de Sérgio Lex (2017, p.37) no final de 1914 Mitsuyo Maeda, um dos alunos da Kodokan, chega ao Brasil via rio Amazonas e desembarca em Belém. Em sua bagagem Maeda tinha um amplo conhecimento do judô e aproveitou para ensinar a arte para varias pessoas, fazendo apresentações e divulgando o judô em vários estados brasileiros.
Segundo Virgílio (2000 p.43), os valores educacionais do judô formam um conjunto de fatores que favoreceu o crescimento e o desenvolvimento do judô no Brasil. Assim, o reflexo desse cenário é retratado em dados expressos pela Confederação Brasileira de Judô (2014) que informa a existência de mais de dois milhões de praticantes de judô no Brasil na atualidade, com destaque para o elevado quantitativo crianças e adolescentes que praticam judô em academias, associações e, principalmente em escolas.
Festival de Judô Interno no Colégio Edson Carneiro em 2017.

RELEVÂNCIA DO JUDÔ NA ESCOLA PÚBLICA
Os problemas sociais, a falta de espaços adequados e de tempo, e ainda, o avanço tecnológico que trouxe máquinas como tablets, games, computadores e outros tiram oportunidades de crianças e jovens desenvolverem as diversas formas de praticas corporais. Dessa forma, faz se necessário compensar esta pouca ou ausência de vivências com praticas corporais. Assim, o esporte, em destaque o Judô, nas escolas se insere como importante elemento que pode suprir determinadas carências que ultrapassam as questões corporais e auxilia também na socialização, motivação e nas aprendizagens do currículo escolar.
No Brasil há exemplos de diversas experiências exitosas com judô na escola. Relatos que versam sobre a importância do judô em projetos esportivos e/ou educacionais, devido percepção de resultados voltados para melhorias na capacidade de aprender. 
Para motivar o processo de aprendizagens durante a prática do judô nas escolas a ludicidade é uma das estratégias mais utilizadas quando trabalhado com crianças e adolescentes. Funcionando como meio facilitador de aprendizagens regadas de valores éticos e morais.
Vale salientar que a ausência ou esquecimento dos valores morais, importantes para o comportamento dos estudantes e a existência de professores de unidades escolares que não valorizam os potenciais de seus alunos e/ou não acreditarem no esporte como meio de formação pessoal e transformação social (VIANNA e LOVISOLO, 2011 p. 294 e FERREIRA, 2007 p. 24) são preocupações que geram conflitos. Dessa forma a introdução e aplicação do judô como modalidade esportiva colaboram para a obtenção e resgate desses valores e afirmam o poder motivacional do esporte.
Para tanto, a inserção da cultura e pratica do judô em ambiente escolar é necessária, mas precisa de melhor amparo acadêmico e governamental. Concordando com Rizzo, (2011 p. 18) que se posiciona a favor de haver mais discussões na universidade sobre a sua inclusão desta pratica corporal na escola.
Assim, o poder de transformação social que o judô pode apresentar ou apresenta na escola pública é um grande destaque. Para isso, Lex (2017, p.68) pontua que o professor deve estar consciente de sua função como educador e se ater para que sua aula esteja dentro de alguns parâmetros sequenciais, para que obtenha melhor didática, e consequentemente, a otimização dos resultados frente aos objetivos propostos.

Comemoração do dia Mundial de Judô com a Turma do Judô Evolução do Colégio Edson Carneiro em 2017.

ABORDAGEM INCLUSIVA DO JUDÔ NA ESCOLA PÚBLICA
As realidades de comunidades que se encontram em situação de risco social e a busca de vivências esportivas dentro ou fora do ambiente escolar configuram contextos em que o esporte pode representar uma forma de realização pessoal e de acesso a condição de cidadania (VIANNA e LOVISOLO, 2011 p. 294). Revelando o poder de elevação cultural e inclusão social que o esporte aliado à educação pode proporcionar. Contexto em que o judô se insere por possuir qualidades exaltadas. Ferreira (2007 p. 17) em seus estudos aponta que:

“Nas práticas do judô, percebe-se claramente a mesclagem e a intervenção de diferentes culturas, oriental e ocidental, produzindo um fenômeno sociológico de integração entre povos distintos. A aceitação e respeito pelas diferenças étnicas, culturais, sociais e políticas, onde os princípios, regras e fundamentos do judô, tornados universalizados, permitem essa união. E esse era o grande ideal de Jigoro Kano, o criador do judô”.

Reconhecido pela UNESCO como modalidade de utilidade mundial na formação do ser humano (BATISTA, 2011 p. 194) o judô é um dos esportes de lutas mais praticados no Brasil que, na atualidade, vem sendo um meio eficaz de educar e ensinar valores morais aos jovens, e auxilia estes ter uma vida bem sucedida (RIZZO, 2011 p. 19). De Souza (2012 p. 1) complementa em seus estudos que, através do judô o aluno passa por um processo de autodescoberta que auxilia na formação da personalidade e contribui para a formação global do cidadão. Feitosa Nakassu, Flamino e Arruda (2011 p. 1) expõem que:

“na educação de um aluno, atrelada ao Judô, que não se resume a uma prática tecnicista voltada para fins exclusivamente corporais e sim, uma manifestação cultural esportiva continente de princípios filosóficos que vêm a preencher lacunas formativas.”

Realização do Ukemi no aquecimento da aula de Judô.

PROJETO JUDÔ EVOLUÇÃO NO COLÉGIO ESTADUAL EDSON CARNEIRO
Passando por diversos contextos a pratica do judô tem se revelado como elemento de inclusão social justificado, conforme Hassenpflug (2004 apud Antonio e Almeida, 2013 p.1), pela afinidade com a educação. Situação presente na Escola Estadual Edson Carneiro, unidade da Secretaria de Educação da Bahia localizada em São Caetano (Bairro da periferia de Salvador). Com turmas do Ensino Fundamental e Ensino Médio nos turnos matutino e vespertino essa escola se caracteriza pela escassez de recursos materiais, elevado nível de evasão e o pouco oferecimento de praticas corporais para os estudantes que contemple estratégias desencadeadoras de intervenções inclusivas. 
Inserido em um contexto em que a violência é presente os estudantes, dessa unidade escolar, convivem numa zona de alta vulnerabilidade social, baixa autoestima e o pouco acesso às diversas manifestações culturais.
Ciente dessa realidade foi realizado uma breve avaliação diagnóstica e constatado que há grande interesse dos estudantes em praticar esporte na escola. Desta forma, surge o Projeto Judô Evolução com o objetivo de elevar, através de vivências nas aulas de judô, o nível cultural, esportivo e educacional de estudantes do ensino fundamental II do Colégio Estadual Professor Edson Carneiro no turno diurno. Contemplando cerca de 40 estudantes do ensino fundamental II, no período de 09 de março de 2016 até 01 de dezembro de 2018, as aulas de Judô aconteceram no turno vespertino tendo duas aulas semanais com uma turma de estudantes do turno matutino, assim, os participantes do projeto participaram das aulas de judô no turno oposto do ensino regular.
No período de intervenções alguns aspectos foram definidos como fundamentais nesses três anos de judô na escola, são eles: Destacar valores sociais, proporcionando atitudes de cooperação e inclusão; Ampliar a cultura corporal para a formação de cidadãos conscientes e participativos; Estimular a afetividade, a tolerância recíproca, a harmonia corporal, a criatividade, o desenvolvimento de habilidades e a criação de estratégias individuais e coletivas através de situações lúdicas; Conhecer as características, fundamentos específicos, princípios e regras do Judô; Participar de eventos estudantis em que a modalidade judô esteja incluída na cidade de Salvador e região metropolitana; Valorizar características da cultura japonesa e da luta; Auxiliar no trabalho pedagógico, direcionado às melhorias no desempenho escolar e no cumprimento de metas estabelecidas pela instituição e pelo Sensei (professor) responsável; E, agir em conformidade com normas Confederação Brasileira de Judô. Aspectos esses que corrobora a perspectiva de esporte da escola abordado pelo Coletivo de Autores (1992 p. 71).
A avaliação dos estudantes participantes do Judô Evolução na escola foi processual. Na visão social e educacional foram observados comportamentos que valorizam a cooperação e inclusão, a conservação e valorização do patrimônio escolar, resultantes dos reflexos positivos nas relações com os/as colegas da turma de judô e os funcionários do Colégio e, também, nas relações escola e comunidade. 
Na visão pessoal foi verificado acentuada elevação da auto-estima dos estudantes praticantes do judô na escola, compreensão da importância da disciplina, assiduidade e compromisso nas atividades das aulas de judô, com reflexos positivos nas atividades do ensino regular. 
Com a analise do objetivo estabelecido com o Projeto Judô Evolução no Colégio Estadual Edson Carneiro, as expectativas foram ultrapassadas pois, houveram vários resultados positivos por atender necessidades do desenvolvimento das crianças e adolescentes e proporcionar a plena realização de sua personalidade física, moral, mental, social e emocional, por meio de atividades favoráveis ao vigor físico de forma lúdica. 

Seletiva dos Jogos Escolares da Juventude em 2017 no Ginásio do SESI Simões Filho/BA.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Abordar e vivenciar o judô no ambiente escolar é confirmar sua força entre as manifestações culturais e sociais da humanidade, é conhecê-lo e reconhecê-lo como possuidor de um grande poder educacional, de superação das desigualdades, do conhecimento e respeito às regras e princípios filosóficos, do fortalecimento da moral, da disciplina, do respeito e da inclusão. 
Vale destacar a importância de haver políticas públicas permanentes direcionadas ao desenvolvimento de atividades físicas e desportivas, em especifico o judô, na escola para que as crianças e adolescentes efetivamente tenham acesso a esses tipos de experiências. 

Jogos da Rede Pública na Arena Fonte Nova em 2017.




Festival de Judô Interno no Colégio Edson Carneiro.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Anne. Ludicidade como instrumento pedagógico. Itabuna. 2009. Disponível em: www.cdof.com.br. Acesso em: 22. Jun. 2015. 
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Equipe do Judô Evolução no Colégio Edson Carneiro conseguiu ter judocas campeões em todas as categorias disputadas nos Jogos Escolares da Rede Pública em 2017.