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| Auditório da biblioteca da UESB - Vitória da Conquista - BA |
Evento realizado na UESB reuniu pesquisadores e professores para discutir os desafios contemporâneos da educação
Entre os
dias 26 e 28 de agosto de 2026, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
(UESB), em Vitória da Conquista - BA, sediou o X Seminário Nacional e VI
Internacional GEPRAXIS, espaço de encontro, reflexão e socialização de
pesquisas voltadas à educação e às transformações sociais contemporâneas.
O evento
possibilitou a apresentação de trabalhos científicos, a participação em
mesas-redondas e o diálogo entre pesquisadores, professores e demais
participantes interessados nos desafios enfrentados pela educação brasileira.
Entre os
participantes esteve o professor Marielson Nascimento Alves, que apresentou o
trabalho intitulado “Educação Física na reforma do Ensino Médio Baiano”,
contribuindo para as discussões relacionadas às transformações pelas quais vem
passando a Educação Física no contexto das atuais políticas curriculares do
Ensino Médio.
Além da
apresentação de seu trabalho, Marielson acompanhou outras comunicações
científicas e participou de mesas-redondas promovidas durante a programação do
seminário, ampliando as possibilidades de diálogo com diferentes perspectivas
sobre educação, políticas públicas, formação e trabalho.

Amanda Moreira da Silva - Profª UERJ, Escritora e Drª em Educação
A palestra de
encerramento: Educação e Mundo do trabalho
O
encerramento do evento contou com uma apresentação de Amanda Moreira da Silva,
que trouxe para o centro do debate as relações entre capitalismo, trabalho,
educação e formação da classe trabalhadora.
A
exposição partiu de uma análise das transformações ocorridas no mundo do trabalho
e de como processos históricos de exploração e precarização assumem novas
características no capitalismo contemporâneo. Um dos exemplos utilizados foi o
trabalho realizado por entregadores de aplicativos, apresentado como expressão
contemporânea da precarização das relações de trabalho.
A partir
dessa realidade, a palestrante estabeleceu uma relação entre as condições
enfrentadas pelos trabalhadores durante a Revolução Industrial e aquelas
encontradas atualmente. Embora os contextos históricos sejam distintos, a
exposição chamou atenção para a permanência de determinadas formas de
exploração. Se, durante a industrialização, trabalhadores eram submetidos a
jornadas extensas e condições insalubres, atualmente muitos trabalhadores de
plataformas digitais enfrentam problemas relacionados à ausência de espaços
adequados para alimentação, descanso e utilização de banheiros.
A
palestra destacou que essa realidade não pode ser compreendida apenas como uma
questão individual. Ela precisa ser analisada a partir das próprias
características assumidas pelo mundo do trabalho no capitalismo contemporâneo.
A juventude e a
precarização do trabalho
Um dos
pontos de destaque da exposição foi a relação entre juventude, periferia,
desigualdade social e trabalho precarizado.
Segundo a
perspectiva apresentada na palestra, parte significativa dos trabalhadores
inseridos nas plataformas digitais é constituída por jovens que encontram
nessas atividades uma alternativa diante do desemprego, da informalidade e das
dificuldades de inserção em empregos protegidos por direitos trabalhistas.
Essa
realidade também chega às escolas. A palestrante chamou atenção para situações
vivenciadas cotidianamente por professores que trabalham com estudantes que, ao
mesmo tempo em que frequentam a escola, precisam trabalhar para complementar a
renda familiar ou garantir sua própria sobrevivência.
Nesse
sentido, a escola não pode ser analisada de forma isolada das transformações
que acontecem no mundo do trabalho. As condições concretas de vida dos estudantes
interferem diretamente em suas experiências escolares. Compreender essa
realidade torna-se indispensável para pensar uma educação comprometida com a
formação humana.
Brasil: uma formação
social marcada pela desigualdade
A análise
apresentada também buscou diferenciar a experiência brasileira daquela
vivenciada historicamente pelos países centrais do capitalismo.
A
palestra destacou que o Brasil possui uma formação social marcada por
características próprias, entre elas a escravidão, a desigualdade estrutural, a
informalidade e a constituição histórica de uma classe trabalhadora submetida a
condições particulares de exploração.
A
exposição relacionou essa realidade ao conceito de superexploração, associado à
condição de um país capitalista dependente, ressaltando que as desigualdades
históricas continuam produzindo efeitos sobre as condições concretas de vida e
trabalho da população. Também foi destacada a dimensão racial e de gênero dessa
estrutura social, evidenciando que determinados grupos historicamente ocupam
posições mais vulneráveis no mercado de trabalho.
Assim,
discutir trabalho no Brasil significa também discutir desigualdade, raça,
gênero, juventude e condições sociais de existência.
Do trabalhador ao
“empreendedor de si mesmo”
Outro eixo
importante da palestra foi a discussão sobre as transformações na subjetividade
dos trabalhadores no contexto do neoliberalismo.
A
exposição chamou atenção para a disseminação da ideia de que cada indivíduo
seria responsável por administrar a própria trajetória profissional, como se
fosse simultaneamente trabalhador, gerente e empreendedor de si mesmo.
Nesse
discurso, conceitos como empreendedorismo, resiliência, projeto de vida e
competências socioemocionais ganham centralidade.
O
problema apontado é que questões estruturais podem acabar sendo transformadas
em responsabilidades individuais. Se o sujeito não consegue alcançar
determinado padrão de sucesso, a responsabilidade tende a ser atribuída
exclusivamente a ele: faltaria esforço, planejamento, resiliência ou capacidade
de adaptação.
Essa
lógica desloca o debate sobre as condições sociais e econômicas para o
indivíduo. A palestra questionou justamente essa perspectiva, defendendo a
necessidade de compreender as relações entre formação humana, educação e mundo
do trabalho a partir de suas dimensões históricas e sociais.
O papel da escola
diante das transformações do trabalho
A
educação apareceu na palestra como um espaço estratégico para compreender as
transformações sociais contemporâneas.
A partir da
perspectiva apresentada, as mudanças no mundo do trabalho produzem novas
demandas sobre os processos educativos.
Nesse
cenário, ganham espaço propostas educacionais que enfatizam competências
socioemocionais, empreendedorismo, projeto de vida e educação financeira. A
questão central levantada foi: quais interesses estão presentes nessas
transformações?
A escola
pública ocupa um lugar particularmente importante nesse debate por atender
majoritariamente filhos e filhas da classe trabalhadora. Por isso, compreender
as relações entre políticas educacionais e mundo do trabalho seria
indispensável para analisar as reformas recentes da educação brasileira.
Ao mesmo
tempo, a palestra ressaltou que a escola não é um espaço completamente
determinado pelos interesses externos. Os professores e demais sujeitos que
constituem o cotidiano escolar também produzem mediações, contradições e
possibilidades de resistência.
As reformas
educacionais e a formação para o novo mundo do trabalho
Na
segunda parte da exposição, a análise concentrou-se especialmente nas
transformações ocorridas na educação brasileira nas últimas décadas.
A
palestra recuperou o processo de avanço das políticas de orientação neoliberal
a partir dos anos 1990 e destacou a intensificação das transformações a partir
de 2016. Foram mencionadas reformas e políticas relacionadas ao mundo do
trabalho e à educação, entre elas a reforma trabalhista, a ampliação da
terceirização, a reforma da Previdência, a Base Nacional Comum Curricular, a
Base Nacional Comum para a Formação de Professores e a Reforma do Ensino Médio.
A
exposição procurou compreender essas medidas não como acontecimentos isolados,
mas como parte de um processo mais amplo de transformação das relações sociais.
Políticas educacionais
não podem ser analisadas isoladamente
Uma das
principais contribuições da palestra foi justamente a defesa de uma análise
articulada das políticas educacionais.
Reforma
do Ensino Médio, currículo, competências socioemocionais, empreendedorismo,
projeto de vida, educação financeira, tecnologias digitais, plataformas
educacionais e políticas de permanência escolar não devem ser compreendidos
como fenômenos independentes. Eles fazem parte de um contexto histórico mais
amplo.
Essa
perspectiva permite compreender que as políticas educacionais são atravessadas
por disputas de projetos de sociedade. De um lado, existem interesses
relacionados à formação de sujeitos adaptáveis às novas condições do mercado de
trabalho. De outro, permanece a possibilidade de uma educação comprometida com
a apropriação do conhecimento historicamente produzido, com a formação crítica
e com a transformação da realidade.
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| Marielson Nascimento Alves - Mestre em Educação Física |
Uma experiência
acadêmica marcada pelo diálogo
A
participação no X Seminário Nacional e VI Internacional GEPRAXIS representou,
assim, uma importante experiência de formação e intercâmbio acadêmico.
Para
Marielson Nascimento Alves, a apresentação da pesquisa sobre a Educação Física
na reforma do Ensino Médio Baiano, somada à participação nas mesas-redondas e
ao acompanhamento das demais produções científicas, possibilitou ampliar o
diálogo com diferentes perspectivas sobre os desafios da educação brasileira.
Mais do
que apresentar uma pesquisa, participar de um evento científico dessa natureza
significa colocar ideias em circulação, ouvir outras perspectivas, questionar
certezas e estabelecer novas conexões entre teoria e prática.
A
palestra de encerramento, ao aproximar os debates sobre trabalho, precarização,
políticas educacionais, juventude e capitalismo, reforçou justamente essa
necessidade de olhar para a educação como parte de uma realidade social mais
ampla.
O desafio
que permanece é pensar uma educação que não apenas prepare os sujeitos para se
adaptar às condições existentes, mas que também lhes permita compreender
criticamente a realidade e participar da construção de novas possibilidades
para a sociedade.
Nesse
sentido, o GEPRAXIS encerra mais uma edição deixando não apenas conhecimentos e
debates, mas também perguntas que continuam ecoando para além do espaço
acadêmico:
Que
educação estamos construindo?
Para qual
sociedade estamos formando nossos estudantes?


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